<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280</id><updated>2011-04-21T13:14:05.946-07:00</updated><title type='text'>Da cidade se fez as pontes</title><subtitle type='html'>a busca de cada um, refletida no álbum InCité de Lenine</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>25</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-8503618677169697812</id><published>2007-03-29T07:35:00.000-07:00</published><updated>2007-08-07T20:09:07.709-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);font-size:180%;" &gt;Introdução &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O igual da diferença&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgvP4WStN2I/AAAAAAAAAKE/44eTlNuESBo/s1600-h/incite.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgvQKGStN3I/AAAAAAAAAKM/KRb-82FV4lU/s1600-h/incite_2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5047356679305115506" style="" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgvQKGStN3I/AAAAAAAAAKM/KRb-82FV4lU/s400/incite_2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lenine faz um tipo de música que só ele faz". Esta foi a opinião de um amigo quando tratávamos descontraidamente da obra do cantor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, Lenine possui um estilo próprio onde por um lado mistura as tradições da música brasileira (MPB e regional) com uma alguma coisa do melhor rock clássico. Outra mistura interessante é a da percussão com harmonia quando ele parece ecoar no violão a sua prática anterior na bateria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, além dessas pontes que ele faz entre a música popular e o rock e entre o ritmo e a percussão, outra ponte, a meu ver, genial diz respeito aquele aspecto que o  liga a melhor das tradições  da música brasileira: a mistura entre o popular e o erudito. Mistura esta que remonta a Villa Lobos (ao levar para as salas de concerto o som do "trenzinho caipira"), à sofisticação musical do choro de Pixinguinha, e às brincadeiras que Tom Jobim fazia com as escalas e inversão de tons na bossa-nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente existe traços dessa mistura entre o popular e o erudito nas músicas de Lenine, isto é, nas notas que compõe a melodia e harmonia de suas canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, neste modesto livro, pretendo me deter sobre as letras das suas músicas. E para isso escolhi o álbum InCité. Não somente porque esta foi o disco através do qual tive o primeiro contato com sua obra, mas também porque neste o que é cantado parece ganhar uma relevância sem precedentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, os outros discos sempre trouxeram letras muito bonitas. Mas, neste, os efeitos eletrônicos, isto é, a utilização dos recursos da chamada "música eletrônica" quase que desapareceram para dar lugar somente a um violão, um baixo e à percussão. E que som, isto é, que música ouvimos dessa combinação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, a voz em combinação com esses instrumentos não seriam suficientes para se explicar a genialidade do disco que foi produzido. Ouvindo-o atentamente pode-se notar que as canções foram escolhidas a dedo: oito inéditas e outras que já fizeram parte de discos anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, há canções em que o ritmo é empolgante. Mas, mesmo nessas, a letra diz algo muito significativo. E as vezes, como em Relampiano, parece que se pode ouvir o eco de um Tom Jobim que gostava de misturar o alegre com o triste cuja mistura, ou melhor, convivência parecem formar o barro da nossa identidade nacional onde nos deparamos cotidianamente com a alegria e a tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, o argumento deste livro é que as letras das canções que compõem este disco (InCité) não somente nos trazem uma mensagem muito significativa, existencial, como também possuem uma coerência de discurso que está presente desde a primeira até a última faixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos capítulos seguintes, procuro me deter sobre um pouco que pude compreender das letras dessas canções. Adianto, porém, que não se trata da quintessência da apreciação de um disco. Muito pelo contrário, pode-se dizer que são apenas primeiras impressões que, no entanto, são&lt;br /&gt;sinceras porque foram elaboradas com o barro que minha existência permitia, no momento, elaborar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas reflexões, o objetivo principal é compreender o que a letra da canção nos traz e&lt;br /&gt;nos ensina. Não as interpreto, porém, à luz da biografia do compositor mas, sim, com o pressuposto da autonomia da obra de arte que, depois de pronta, pertence a todos aqueles que possam ver sua beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheço que nessas interpretações coloquei uma parte de minha bagagem espiritual, o que fiz não de maneira gratuita, mas porque as letras nos conduz também por esses caminhos onde, a meu ver, o homem se encontra consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste pormenor, talvez, por um lado, a minha crença não seja a mesma do leitor. Mas, por outro lado, pode ser que em alguma coisa o pensamento se encontre. Ou ainda, como diria uma canção de Lenine presente apenas no DVD deste show que gerou o álbum "InCité":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Vai que a gente pensa igual&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E acha isso normal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O igual da diferença&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cada um, todo ser, tem sua crença" &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-8503618677169697812?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/8503618677169697812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=8503618677169697812' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/8503618677169697812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/8503618677169697812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/introduo.html' title=''/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgvQKGStN3I/AAAAAAAAAKM/KRb-82FV4lU/s72-c/incite_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-8544194930052604322</id><published>2007-03-28T18:45:00.000-07:00</published><updated>2007-03-28T19:12:44.589-07:00</updated><title type='text'>23. O Marco Marciano (2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um Novo Marco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgsggmStN1I/AAAAAAAAAJ8/wCjYl6sA4Ws/s1600-h/marco.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5047163551805683538" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgsggmStN1I/AAAAAAAAAJ8/wCjYl6sA4Ws/s400/marco.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O propósito deste texto é o de dar continuidade à análise da unidade e coerência interna do álbum InCité. Tarefa que havia começado no texto anterior, a partir de uma reflexão da música &lt;em&gt;"O Marco Marciano"&lt;/em&gt;, mas que havia interrompido para que o texto não ficasse demasiadamente extenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra razão da interrumpção do texto anterior liga-se também à presença de uma sutil alteração no tratamento do tema central do álbum InCité, pois, se da música "Do It" até "Virou Areia" Lenine aprsentou composições que falavam da precariedade e da insuficiência humano diante dos imperativos e do ritmo frenético do mundo atual, a segunda parte do álbum se ocupará em demonstrar que, apesar dessas incertezas, há realizações possíveis e significativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse último aspecto é o que, segundo a minha perspectiva de análise, dá unidade para a segunda parte do álbum. No entanto, há uma pequena exceção: "Relampiano", a canção que vem depois do ponto final (ou ponto e vírgula) colocado pela canção "Virou Areia" parece fazer ainda parte daquela primeira linha de composições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, longe de querer apontar imperfeições na obra do artista, parece-me que, para manter a linha de desenvolvimento do tema do álbum, "Relampiano" deveria vir antes de "Virou Areia" porque sua letra anbda trata do tema da precariedade da condição humanoa no mundo atual, sobretudo das crianças de famílias muito pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menos, porém, que a mensagem oculta de "Relampiano" seja outra: a de revelar, por exemplo, as conquistas que podemos alcançar mesmo em meio à essa precariedade de cores fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, na posição que a faixa "Relampiano" foi colocada no disco, ela serve como música de transição: é como se do esforço tenaz daquela criança, que vende drops no sinal para ajudar a família, representasse o prelúdio das realizações possíveis que seria, assim, precedida pela realização da perseverança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Todas Elas Juntas Num Só Ser" apresenta então a primeira dessas "realizações possíveis" dos nossos sonhos e desejos: o amor. A escolha de Lenine pode parecer paradoxal, pois achar um amor verdadeiro nesta vida, se comparado às outras realizações pessoais, é a que as vezes nos parece mais distante. No entanto, paradoxalmente, é a que está ao alcance de todos independentemente da condição social da pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E "Anna e o Rei" parece reforçar essa possibidliade ao apresentar, em caráter aparentemtne biográfico, esta conquista que o compositor alcançou e que, mais do que qualquer coisa, lhe dá força para continuar o caminho no quando encontra-se também consigo mesmo nos filhos que fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Caribenha Nação" nos mostra também uma grande realização humana e coletiva: a cultura, possível mesmo para uma comunidade que foi levada como escrava para longe de casa, mas que, mesmo nessa situação mais que precária, conseguiu preservar sua dignidade o que, de certa forma, também é uma realização ao alcance de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em "Sentimental", as realizações dão evidências de uma afunilamento no tratamento do tema central do álbum. E se isso ainda não havia acontecido, neste ponto nos damos conta da forma como o tema, que inicialmente começou a ser exposto a partir de uma reflexão bastante envolvendo nossa época e o atual contexto socio-cultural, em "Do It", e que foi passando por contextos amplos ditados por filmes clássicos (como em "Rosebud") ou pela realidade que encontramos nas grandes cidades (como em "Relampiano") ou ainda na MPB (como em "Todas elas Juntas num só ser") de repente foi se afunilando cada vez mais em direação à trajetória do próprio compositor no que se diz respeito à sua formação afetiva ("Anna e eu"), cultural ("Caribenha Nação") e musical ("Sentimental"). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, após expor como Lenine talvez se define enquanto "sentimental", ou seja, após apresentar sua necessária redefinição do que até então estava instituído como sendo sentimental, Lenine registra seu marco como o faziam os compositores populares do passado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesta última música é como se Lenine nos dissesse: "aqui, neste álbum, disou eu, Lenine, meu marco, isto é, este pequeno registro do que eu construí na época e condições que me foram dadas." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se o marco é marciano, isto é, se ele o fez em outro planeta "onde nave flutua e disco voa", a meu ver, isto significa que embora a obra tenha sido feita para este mundo, a inspiração veio de outro lugar: de onde nascem os ideiais e as idéias que transformam a realidade e guiam as nossas conquistas onde deixamos registradas a nossa marca. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-8544194930052604322?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/8544194930052604322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=8544194930052604322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/8544194930052604322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/8544194930052604322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/23-o-marco-marciano-2.html' title='23. O Marco Marciano (2)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgsggmStN1I/AAAAAAAAAJ8/wCjYl6sA4Ws/s72-c/marco.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-3944868279711799542</id><published>2007-03-28T12:24:00.000-07:00</published><updated>2007-03-28T13:06:24.534-07:00</updated><title type='text'>22. O Marco Marciano (1)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Marco Zero&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgrD82StN0I/AAAAAAAAAJ0/g69wlXtWSgI/s1600-h/marco_zero.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5047061782555604802" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgrD82StN0I/AAAAAAAAAJ0/g69wlXtWSgI/s400/marco_zero.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;O Marco Marciano&lt;/em&gt;" (a última faixa do álbum InCité) é, na verdade, um trecho de uma música maior, de mesmo nome, gravada anteriormente no álbum "&lt;em&gt;O Dia em que faremos contato&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta não é a única música, do álbum InCité, que havia sido num disco anterior de Leinine. Por que motivo, então, diferentemente do que ocorreu com "&lt;em&gt;Rosebud&lt;/em&gt;", "&lt;em&gt;Caribenha Nação&lt;/em&gt;" e outras canções, Lenine canta apenas a primeira e a última estrofe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, a resposta definitiva somente Lenine poderá dar. Isso, se um dia ele o fizer, pois creio que cabe a nós, intérpretes de sua obra, pensar nessas razões. E a razão que me vem à mente remete à uma entrevista que Lenine deu, certa vez, para a TV Cultura, na qual afirmava que o mínimo que se deve exigir de um álbum é uma coerência, o que, por dedução, aplica-se à sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvo engano, a época dessa entrevista correspondeu ao lançamento e divulgação do seu disco "&lt;em&gt;O dia em que faremos contato&lt;/em&gt;" que foi todo composto com referências a obras de ficção científica com o que, diga-se de passagem, Lenine trabalhou como tradutor durante um tempo. É a este álbum que pertence a música aqui em questão. É, portanto, diante desse contexto que deve ser encarado o conteúdo da letra dessa música, que inicía-se assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Pelos auto-falantes do universo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vou louvar-vos aqui na minha loa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um trabalho que fiz noutro planeta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Onde nave flutua e disco voa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fiz meu marco no solo marciano&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Num deserto vermelho sem garoa"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, a que obra de ficção esta letra se refere? Esta é uma questão que não consegui ainda descobrir. E para fazê-lo teria que adentrar num universo que, ao que parece, não corresponde à linha de composição que dá unidade e coerência ao álbum InCité.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que a autoreferência à sua obra, através da incorporação de uma música gravada anteriormente, tem sua razão de ser, que só fica evidente se analisarmos o tema que veio sendo desenvolvido desde a primeira faixa do disco. Senão, vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na canção "&lt;em&gt;Do It&lt;/em&gt;", o compositor nos coloca dentro do unvierso frenético dos imperativos do mundo atual onde somos obrigados a sempre estarmos ocupando tendo que "fazer algo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "&lt;em&gt;Vivo&lt;/em&gt;", a segunda canção, mostra o outro lado da questão, isto é, a precariedade da condição do ser humano que tem que fazer tanta coisa. Trata-se, enfim, de uma contraposição interessante porque mostra como que, apesar da alta produtividade isto não leva necessariamente à uma melhoria da condição precária do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se o estar alinhado com esses imperativos, isto é, conseguir adequar-se a este estilo de vida frenético poderia trazer ao indivíduo alguma esperança de felicidade, a canção "&lt;em&gt;Ninguém faz idéia"&lt;/em&gt; nos retira esta ilusão afirmanado que nada, nem mesmo a capacidade de atender a esses impoerativos modernos, é capaz de nos garantir um lugar ao sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "&lt;em&gt;Todos os Caminhos&lt;/em&gt;" continua o desenvolvimento dessa idéia, trazida pela canção "Ninguém faz idéia" ao aprsentar a narrativa de alguém já adulto que, no auge da sua maturidade, começa a se perguntar se o fato de não ter realizado seus sonhos e desejos nasce da sua insuficiência humana ou é um fruto das limitações da sua época concluindo, por fim, que o "certo é que eu não sei o que virá".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se alguém ainda tinha a ilusão de que o dinheiro pode ser a solução de todos os problemas viabilizando, assim, a realização dos nossos sonhoes e desejos, a canção "&lt;em&gt;Rosebud&lt;/em&gt;", ao retomar a saga do milinário protagonista do filme "Cidadão Kane" mostra que, nesse contexto, as incertezas e a precaridade da condição humana também são vivenciadas até pelos mais ricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E, dentro dessa linha de reflexão existencial (sobre a precaridade da condição humana frente aos imperativos de sucesso na vida), a canção "&lt;em&gt;Virou Areia&lt;/em&gt;" parece colocar um ponto final, ou um ponto e vírgula talvez, lembrando que por mais realizaçõees que alcancemos, nesta vida, um dia teremos que deixá-la e tudo o que, nela, construímos, assim como nós mesmos, se tornará pó e areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se falo em "ponto" ou "ponto e vírgula", digo-o porque, embora essa grande reflexão existencial pudesse acabar aqui ela será ainda retomada a partir da canção seguinte. Porém, sob uma ótica um pouco diferente. Razão pela deixarei para me ocupar com o assunto no texto seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-3944868279711799542?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/3944868279711799542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=3944868279711799542' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/3944868279711799542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/3944868279711799542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/22-o-marco-marciano.html' title='22. O Marco Marciano (1)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgrD82StN0I/AAAAAAAAAJ0/g69wlXtWSgI/s72-c/marco_zero.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-4766972098201942367</id><published>2007-03-27T08:32:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T08:41:44.405-07:00</updated><title type='text'>21. Sentimental (3)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tira o véu dos olhos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/Rgk5mICJA1I/AAAAAAAAAJs/DkSDWbGbroM/s1600-h/margarina_new.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046628184599626578" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/Rgk5mICJA1I/AAAAAAAAAJs/DkSDWbGbroM/s400/margarina_new.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No texto anterior, ao tratar da canção "sentimental", eu havia dado ênfase sobre o aspecto desagregador daquele que é sentimental, com a ressalva que essa desgregação tem um caráter intermediário na construção de uma visão mais apurada da realidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tive, contudo, espaço para desenvolver esse último aspecto. Por essa razão é que retomo novamente a mesma canção com o objetivo de, aqui, concluir o que havia começado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas recordando, o trecho da canção que estava tratando diz o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Desagrega o coração, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;tira o véu dos olhos"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portanto, como se vê, o mesmo ser que tem o potencial de desagregar também ode nos trazer uma melhor compreensão da realidade. Na verdade, se prestaros bem atenção, veremos que isso este fenômeno está presente em alguns momentos chaves das nossas vidas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me, por exemplo, com bastante clareza de quando isso me aconteceu após eu terminar a leitura de um livro. Antes, porém, será preciso apresente o pano de fundo em que o fato ocorreu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando eu era ainda adolescente, minha perspectiva de vida era a de estudar para, então, entrar numa facudlade, me formar, ganhar dinheiro e constituir uma família e uma casa agradável com, preferencialmente, um escritório, um carro e uma moto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o sonho comum à maioria dos jovens que, como eu, cresceram mastigando cotidianamente o conceito de felicidade que nos era vendido junto com os comerciais de margarina e afins.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, porém, caiu-me à mão um pequeno livro romance chamado "A Morte de Ivan Ilitch". Daí em diante minha vida nunca mais foi a mesma, pois, a partir de sua leitura, concluí que aquele meu projeto tão bem definido e pré-fabriado de felicidade não levaria a nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passei então um tempo "sem chão", desagregado, procurando um novo referencial, e isto durou algum tempo. Mas, o estar "sem chão", aqui, não foi fatal, pois o obstáculo com o qual me desparava não era nenhuma tragédia material.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao final do processo, já com as pazes feitas com Tolstói, o autor do livro, eu não era nenhum sábio guru, mas já sabia mais da realidade do que antes. E esse conhecimento me librertou de uma tristeza futura, fruto de uma frustação real e não atencipada por um grande livro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma experiência semelhante, de libertação através da compreensão da realidade, é narrada na Bíblia, quando Cristo falava aos seus discípulos da seguinte maneira:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;verdadeiramente serão meus discípulos. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E conhecerão a verdade, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;e a verdade os libertará." &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;[João 8:31-32]&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que, após essas palavras, os discípulos discordavam dessa perspectiva, afirmando que eles não eram e nunca foram escravos de ninguém. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na época, o país em questão, havia sido dominado pelo império romano que, apesar de lhes dar liberdade religiosa e cultura, lhes cobrava impostos e lhes dirigia política e militarmente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, talvez esse protesto dos discípulos, fosse movido por esse contexto social que, apesar de não ser dos melhores, também não era um regime própriamente de escravidão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, após esses protesto, Cristo lhes faz ver que "&lt;em&gt;todo aquele que vive pecando é escravo do pecado" (João 8:34),&lt;/em&gt; e que isso, portanto, independe do contexto político e social. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em suma, as vezes precisamos da ajuda de alguém para compreender a realidade em que estamos inseridos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-4766972098201942367?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/4766972098201942367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=4766972098201942367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/4766972098201942367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/4766972098201942367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/21-sentimental-3.html' title='21. Sentimental (3)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/Rgk5mICJA1I/AAAAAAAAAJs/DkSDWbGbroM/s72-c/margarina_new.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-4475186721932988894</id><published>2007-03-26T15:31:00.000-07:00</published><updated>2007-03-26T15:57:52.685-07:00</updated><title type='text'>20. Sentimental (2)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Eu sei que sou assim"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RghLU4CJA0I/AAAAAAAAAJk/M9QoHCYR2P8/s1600-h/sentimental.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046366204479472450" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RghLU4CJA0I/AAAAAAAAAJk/M9QoHCYR2P8/s400/sentimental.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sentimental" é uma canção que Lenine fez junto com Lula Querioga (seu velho companheiro de composição desde o primeiro disco) e Arnaldo Antunes (ex-vocalista do Titãs).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carreira sólo de Arnaldo Antunes, embora não seja tão pop como a do Tiãs, é bastante rica, interessante e, acima de tudo, original. Suas composições caminham entre o experimentalismo e a poesia concreta. Mas, ao ouvir um dos seus discos pela primeira vez, o que mais me chamou a atenção foi reconhecer uma velhan canção de Nelson Cavaquinho chamada "Juízo Final" cuja letra diz o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O sol... há de brilhar mais uma vez&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A luz... há de chegar nos corações&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O mal... será queimada a semente&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O amor... será eterno novamente&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É o Juízo Final, a história do bem e do mal&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gravação de Nelson Cavaquinho tem, obviamente, seu lugar de honra no repertório da MPB. No entanto, se na sua voz do velho sambista, o juízo final parece uma idéia remota, a interpretação de Arnaldo Antunes te convence que o juízo final acontecerá ainda hoje ou, digamos, no mais tardar amanhã cedo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com "&lt;em&gt;Sentimental&lt;/em&gt;", Lenine também faz referência à uma antiga canção da MPB. Aliás, esses "ecos" de antigas canções e compositores da MPB parece ser uma constante nas composições de Lenine. O exemplo maior, no álbum "In Cité", sem dúvida alguma acontece na música "&lt;em&gt;Todas elas juntas num só ser&lt;/em&gt;", com a qual eu já tive oportunidade de me ocupar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, na música "&lt;em&gt;Sentimental&lt;/em&gt;" há também uma inusitada referência. Digo inusitada porque, salvo engano, a referência aqui não é a um dos cânones da MPB, mas sim a um cantor que, apesar de ter feito muito sucesso na sua época, é tido como um representante da música brega: Altermar Dutra, falecido no início da década de oitenta. Senão vejamos um dos seus maiores sucessos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Sentimental eu sou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu sou demais&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu sei que sou assim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porque assim ela me fazsentimental"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, a exemplo do que aconteceu com a interpretação que Arnaldo Antunes deu à música de Nelson Cavaquinho, a revisão que Lenine fez do "&lt;em&gt;Sentimental&lt;/em&gt;" de Altermar Dutra ficou "irreconhecível".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar porque se Altermar puxava o sentimental para um lado sentimental-melancólico, a versão de Lenine traz a marca das interpretações, digamos, apocalípticas (senão alarmantes) de Arnaldo Antunes. Em segundo lugar, Lenine, auxiliado por Lula Querioga e Arnaldo Antunes, fez uma interessante revisão na definição do "sentimental".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tratei, no texto anterior, sobre a primeira parte desta definição ao dizer que o sentimento é uma das heranças que recebemos de Deus quando Ele nos criou "à sua imagem e semelhança". Mas, a partir da segunda estrofe da canção de Lenine, nota-se uma outra caracterização complementar do que é ser sentimental:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Quem me tira o chão dos pés &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E movimenta as marés, quem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;semeia o pé de vento do pensamento &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Erra sem destino, amor?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desintegra o grão da terra &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desagrega o coração&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tira o véu dos olhos Desperta os poros &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Erra, desatina, amor?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quem move o mundo todo sendo &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Sentimental"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se vê, além de criativo, o "sentimental" é aquele que possui a capacidade de nos tirar o chão, gerar tempestades, desagregar o coração, tirar o véu dos olhos, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, você pode achar que "desagregar o coração" ou nos "tirar o chão" nem sempre são coisas bem-vindas. Mas, não era este um dos papéis a que o próprio Cristo se dedicava? Afinal de contas, ele foi contra muita coisa instituída que até então era tido como "natural". Além disso, a sua mensagem, ao ser aceita por apenas um ou outro membro de uma família, frequentemente gerava uma certa desagregação familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora esse aspecto as vezes não seja colocado pelos pregadores, por uma questão talvez inclusive diplomacia, esta desagregação faz parte da vida de quem deseja "seguir a Cristo": desagregação junto à família, a sociedade e também junto ao próprio coração. E, embora Cristo sempre tenha tido compaixão das pessoas, neste contexto o que ele diz é que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Quem achar a sua vida perdê-la-á,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[Mateus 10:39]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito de outra maneira, é como se aquele que cercasse sua vida de cuidados, acabasse por não encontrar a felicidade; enquanto que aquele que decide por enfrentar as dificuldades do caminho que decidiu seguir, encontrasse o que o outro passou a vida toda tentando conseguir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chocado? Desculpe, é que as vezes eu também sou um pouco sentimental...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-4475186721932988894?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/4475186721932988894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=4475186721932988894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/4475186721932988894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/4475186721932988894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/20-sentimental-2.html' title='20. Sentimental (2)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RghLU4CJA0I/AAAAAAAAAJk/M9QoHCYR2P8/s72-c/sentimental.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-1656195270944509102</id><published>2007-03-26T12:12:00.000-07:00</published><updated>2007-03-26T12:27:40.423-07:00</updated><title type='text'>19. Sentimental (1)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Razão aterra&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/Rggb2ICJAzI/AAAAAAAAAJc/ArKkR9R3kVQ/s1600-h/fyodor-dostoevsky.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046313999151989554" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/Rggb2ICJAzI/AAAAAAAAAJc/ArKkR9R3kVQ/s400/fyodor-dostoevsky.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A literatura russa é conhecida como uma das melhores do mundo, o que se dá devido à uma feliz combinação de excelentes escritores e temas interessantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se sabe, um dos maiores representantes desta literatura é Dostoiévski, que hoje é tido como um grande conhecedor do ser humano além de ser também, segundo um especialista, um autor "com rara sensibilidade para o social". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na época de Dostoiévski (segunda metade do século XIX), alguns escritores defendiam uma ética, isto é, uma maneira de proceder alinhada com a tendência dos novos tempos, os quais eram então caracterizados pelo avanço no uso da razão e pelos frutos que esta, potencialmente, traria para a vida do homem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta nova ética era, por aqueles que a defendiam, chamada de "egoismo racional". Segundo ela, a sociedade se tornaria melhor se cada indivíduo procurasse realizar seus próprios interesses. Assim, da soma das realizações egoistas surgiria a realização e a harmonia social. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dostoiévski colocou-se contra essa ética e dedicou-se, nos seus grandes romances, a expor o caos social a que sua realização levaria. Em oposição a ela, nesses mesmos romances, Dostoiévski procurou desenvolver uma proposta ética alternativa baseada no amor-compaixão, isto é, no colocar-se na posição do outro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A oposição de Dostoiévski estava ancorada não somente numa premissa cristã, de amor ao próximo, como também em algo que viria mais tarde ser descoberto pela psicanálise: que aquilo que orienta o indivíduo neste mundo não são seus interesses, mas sim seus desejos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma ilustração desse argumento pode ser vista, por exemplo, no filme "Cidadão Kane" a que Lenine fez referência na canção Rosebud. Rosebud, a propósito, é uma palavra que representa, no filme, o objeto simbólico do desejo a que o protagonista dedicou a vida toda a recuperar: o amor, do qual foi privado ainda na infância. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem, toda essa introdução para destacar, enfim, a relevância do tema trazido pela penúltima canção do álbum InCité de Lenine: &lt;em&gt;Sentimental&lt;/em&gt;. Seu título, em si, já sugere seu conteúdo cuja relevância tem sido menosprezada históricamente pelo ocidente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A canção de Lenine é original porque se contrapõe a uma idéia aparentemnte bastante enraizada no senso comum: a de que o sentimento é muito bonito, mas não resolve. Assim, segundo essa premissa, se quisermos nos tornar "produtivos" devemos abraçar a razão e "ir à luta". Contra essa idéia, ao que parece, a canção de Lenine tem início justamente enumerando os grandes feitos daquele que é sentimental: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Quem liberta o furacão?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Desamarra o mar da praia?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Desarruma o rumo?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Entorta o pumo?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Erra sem destino, amor?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Quem desata o céu da terra?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Desfera fecha, rasga o ar?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;ira a luz da treva, razão aterra. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Erra, desatina. amor. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Quem move o mundo todo &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;apenas sendo sentimental." &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais curioso desses versos é que eles fazem referência, mesmo que a título de alegoria, ao próprio ato criador de Deus que, segundo o livro de Gêneses, criou primeiro a luz, ou seja, segundo a letra da canção, Deus é aquele que "tira a luz da treva":&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A terra era sem forma e vazia; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;e havia trevas sobre a face do abismo, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Disse Deus: haja luz. E houve luz."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;[Gêneses 1:2-3]&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outras analogias ainda poderiam ser feitas, no que se refere, por exemplo, à separação entre mar e terra e ao próprio estabelecimento dos limites das marés. A canção de Lenine fala em "&lt;em&gt;quem desamarra o mar da praia&lt;/em&gt;" enquanto que o livro de Jó fala em "&lt;em&gt;quem represou o mar pondo-lhe portas" [Jó 38:8]. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que a letra da canção, enfim, nos diz? Que quem é sentimental é como Deus? Uma possível interpretação poderia, de fato, ir nesta linha como, por exemplo, quando o sociólogo e teólogo Paul Freston diz que, ao nos criar, Deus nos deu também o "mandato cultural" de sermos criativos como Ele, ou melhor, de continuarmos sua tarefa criadora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, para o momento, prefiro destacar um outro aspecto sugerido pelo início desta canção: a de que Deus criou porque, dentre outras coisas, Ele é um ser sentimental que, a propósito, ama toda sua criação e deseja que ela reproduza essa sua qualidade amando também - conforme nos revelou Cristo em suas palavras: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Como o Pai me amou, assim também eu [Jesus] vos amei; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;permanecei no meu amor."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;[João 15:9]&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-1656195270944509102?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/1656195270944509102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=1656195270944509102' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/1656195270944509102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/1656195270944509102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/19-sentimental-1.html' title='19. Sentimental (1)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/Rggb2ICJAzI/AAAAAAAAAJc/ArKkR9R3kVQ/s72-c/fyodor-dostoevsky.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-1572999992406534829</id><published>2007-03-26T07:07:00.000-07:00</published><updated>2007-03-26T07:19:49.405-07:00</updated><title type='text'>18. Caribenha Nação</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um batuqe que abala o firmamento&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgfV44CJAwI/AAAAAAAAAJE/otZueLgvkP8/s1600-h/Maracatu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046237080582685442" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgfV44CJAwI/AAAAAAAAAJE/otZueLgvkP8/s400/Maracatu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há poucos anos atrás, tive a oportunidade de ir num evento, em São Paulo, chamado "Fórum Cultural Mundial". A princípio, pareceu-me uma proposta bastante interessante. Afinal de contas, por que apenas o "fórum econômico" ou o "fórum social" deveria ser mundial? No entanto, a proposta parece ter morrido neste primeiro congresso. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha visto na programação que um famoso grupo de Maracatu iria se apresentar. Como faltava ainda uma meia hora para o início da apresentação, me embrenhei na mata de stands de cultura do centro de convenções do Anhembi até que, de repente, ouvi o batido de um dos tambores. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me que foi como ouvir um chamado tribal, no meio da mata. O chamado de um "&lt;em&gt;batuque que abala o firmamento",&lt;/em&gt; conforme diz a música de Lenine com que pretendo me ocupar aqui: "&lt;em&gt;Caribenha Nação&lt;/em&gt;". &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"É a festa dos negros coroados&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Num batuque que abala o firmamento;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;É a sombra dos séculos guardados&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;É o rosto do girasol dos ventos."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;O maracatu é algo que sempre esteve presente na carreira musical de Lenine, sobretudo no primeiro disco, de 1983, cujo nome, "Baque Solto" já é por si uma referência direta a um dos tipos de maracatu: o "baque solto" que equivale ao ritmo empregado no Maracatu Rural, enquanto que o "baque virado" refere-se ao Maracatu Nação. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;No segundo disco que Lenine gravou, "&lt;em&gt;Olho de Peixe&lt;/em&gt;" de 1993, o tema do maracatu volta a estar presente. Desta vez, com a canção "&lt;em&gt;Caribenha Nação&lt;/em&gt;", que depois então seria regravada no disco InCité. A propósito, a música aqui em questão. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já no terceiro disco de Lenine, "&lt;em&gt;O Dia em que faremo contato&lt;/em&gt;" de 1997, o tema do maracatu aparece na música "&lt;em&gt;Que baque é esse&lt;/em&gt;?", cujo trecho transcrevo a seguir: &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"E o maracatu passou &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Já com o bombo batendo fofo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Só quem vai atrás &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;É capaz de entender &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Toda essa magia &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A nega dançando, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E a negada babando na fantasia."&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;De fato, como diz a letra da canção, "&lt;em&gt;só quem vai atrás é capaz de entender essa magia&lt;/em&gt;", pois, de nada adianta eu ficar explicando as particularidades do Maracatu ou a relevância que Lenine lhe dá, ou ainda a euforia que sua batida causa em mim. De nada adianta porque, por mais eloqüente que eu fosse, dificilmente eu conseguiria passar para o leitor aquilo que só se sente ao experimentá-lo, ou seja, ao ver um maracatu passando. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquela experiência no Anhembi não foi a única oportunidade que tive de ver um maracatu. Felizmente, tive a grata experiência de assistir um em Olinda. E, de fato, quando passa a "nega dançando", como diz a música de Lenine, fica-se "babando na fantasia". Não somente na fantasia que as mulheres (negras e brancas) vestem, e que é realmente belíssima, mas também em toda essa fantasia que nos transfere para um outro mundo de fantasia, ritmo, força e felicidade. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, eu não precisaria ter ido até Olinda ou até este fórum mundial em São Paulo, para assistir um maracatu. Em Campinas mesmo há pelo menos um grupo de maracatu, que faz, inclusive, um belo trabalho de inclusão social junto à população de um bairro de periferia da cidade. E as apresentações deles, apesar de ser algo um pouco raro, são belíssimas. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;O maracatu tem origens africanas. Faz parte de uma cultura que foi trazida, dizem, pelos negros de origem nagô na época da escravidão no Brasil. Dada as condições a que esses, então escravos, foram submetidos, é de se surpreender que uma cultura tão bonita assim tenha sobrevivido ou se desenvolvido. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sou negro e, até onde sei, não tenho nenhuma ascedência nagô. Nem tampouco cresci ouvindo o maracatu. Pelo contrário, o conheci somente há poucos anos atrás. Mesmo assim, não consigo ficar imune à sua batida e à sua magina. Assistí-lo me deixa absorvido, e não assistí-lo me traz uma certa nostalgia; uma espécie de lamento como o de Davi quando dizia que: &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Dentro de mim derramo a minha alma &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;ao lembrar-me de como eu ia com a multidão, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;guiando-a em procissão à casa de Deus, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;com brados de júbilo e louvor, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;uma multidão que festejava."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;[Salmos 42:4]&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste Salmo, não é possível saber por que Davi, sendo ainda rei, não podia mais guiar a multidão em festa à casa de Deus. Poderia ser que talvez fosse um momento em que a nação recebia o ataque de inimigos, ou também o pecado que Davi cometeu e que lhe trouxe tanto pesar. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;De qualquer maneira, minha nostalgia parece ser um "sentimento fora de lugar" pois, afinal de contas, festejos como esses não são uma tradição em São Paulo, sobretudo nos dias de hoje. Assim, parece que só me resta, a exemplo de Davi, lamentar o que um dia presenciei e que não faz mais parte do presente. Muito embora, sempre exista uma forma de acessar a porta que dá acesso à essa magia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-1572999992406534829?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/1572999992406534829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=1572999992406534829' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/1572999992406534829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/1572999992406534829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/18-caribenha-nao.html' title='18. Caribenha Nação'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgfV44CJAwI/AAAAAAAAAJE/otZueLgvkP8/s72-c/Maracatu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-6487047714641460451</id><published>2007-03-17T09:47:00.000-07:00</published><updated>2007-03-17T12:11:29.225-07:00</updated><title type='text'>17. Anna e eu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Olhei pra trás"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfwdIjQngbI/AAAAAAAAAI8/6aRz5MGjPgk/s1600-h/annaandtheking_03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042937715489210802" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfwdIjQngbI/AAAAAAAAAI8/6aRz5MGjPgk/s400/annaandtheking_03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A originalidade das composições de Lenine é algo que me impressiona. Mas, na música "Anna e eu", ele conseguiu ir além - não somente devido à poétic da letra da canção como, também, devido ao seu conteúdo que me fez rever um paradigma. Vamos inicialmente à música, que começa assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Andei pra chegar tão longe, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e daqui de longe eu olhei pra trás."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas minhas leituras bíblicas, eu havia aprendido que não se deve "olhar pra trás". Achei que sabia o significado disso, quando então a canção de Lenine me se fez repensar o assunto, pois, ao contrário do que ensinava Cristo, o eu lírico da canção "olhava pra trás". Fui então levado a compreender melhor o que Cristo havia dito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Jesus lhe respondeu: &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;aquele que põe a mão no arado e &lt;/em&gt;&lt;em&gt;olha pra trás &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;não está apto para o Reino de Deus". &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[Lucas 9:61]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Cristo disse essa frase acima, ele a utilizaou em resposta a alguém que havia recebido o chamado para seguir a Cristo, mas que havia apresentado, como desculpas, outras obrigações e deveres que tinha ainda que realizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, ao responder-lhe que "aquele que põe a mão no arado", isto é, no trabalho para o qual Deus lhe chamou e que "olha pra trás", isto é, lamenta-se do que teve que abrir mão para atender a esse chamado não é, portanto, "apto para o Reino de Deus", ou seja, para ser um discípulo de Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As questão parecia, então, resolvida pois a música de Lenine não fala de nenhum chamado para seguir a Cristo, mas, sim, do "chamado de Anna", sua amada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Ouvi Anna me chamando. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Disse se eu não fosse, eu não ia mais".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Curiosa e bonita esta frase. A primieira imagem que ela me traz à mente é a de uma situação na qual a namorada dá um ultimato, direta ou indiretamente, ao namorado dizendo que "é agora ou nunca" que eles unirão seu destino num compromisso mais definitivo. Ao que parece, Lenine foi e não se arrependeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, assim, certa semelhança no chamado de Cristo, em particular quando ele lança um convite para alguém seguí-lo. Claro que esse alguém, ao contrário do que aconteceu na música de Lenine, procurou se esquivar do chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, cá entre nós, nem mesmo um ultimato de uma namorada é aceito assim de prontidão de maneira igual por todos. A meu ver, se há algo a lamentar numa situação como essas, não é o fato da pessoa ficar retiscente em aceitar mas, sim, em querer voltar atrás depois de dado o passo definitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se minha comparação parasse neste ponto ela ficaria incompleta, pois, salvo engano, quando Cristo utiliza esta expressão "olhar para trás", ele está fazendo também referência a uma história muito conhecida da Bíblia: a de Sodoma e Gomorra, em particular no que se refere à mulher de Ló.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas duas cidades são notoriamente conhecidas pela depravação sexual em que haviam caído. Ao menos isto é o diz o senso comum, pois, na verdade, a afronta que eles faziam a Deus era bem maior que essa. Bem, por conta disso, Deus revolve então destruir essas cidades. Mas, alguém, que tinha um parente lá, intercede por ele (Ló) e, assim, Deus envia um anjo para resgatar essa família da destruição iminente das cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família então já havia deixado a cidade, com a orientação de não olharem para trás quando Deus a destruisse. Bem, dito e feito: quando o fogo começa a devorar a cidade, a mulher de Ló olha para trás e, no mesmo instante, conforme havia advertido o anjo, ela se transforma numa estátua de sal. (Gênesis 19:26)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se pode deduzir, o problema em "olhar para trás", aqui, não estava propriamente no gesto, mas, sim, no que ele simpbolizava: em primeiro lugar, a desobediência de Deus; e, em segundo lugar, porque, nesta situação, só olha pra trás aquele que lamenta o que está deixando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio, portanto, que é com base nessa história que a expressão "não olhar para trás" de Cristo ganha um sentido e uma força mais expressiva. Porém, não é este o significado do "olhar pra trás" da música de Lenine. Ele não olha pra sua vida lamentando aquilo que deixou, quando decidiu atender o chamado do amor de Anna. Muito pelo contrário, ele diz que: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Andei pra chegar mais longe &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E de lá de longe me ver feliz. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Andei pra valer a pena, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Olhei pra trás, pro que é meu&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Nosso Passado me aecna &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Pelo que foi, já valeu!"&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, quando ele olha pra trás ele, na verdade, olha pra tudo aquilo "que é meu", ou seja, para o que ele já construiu e edificou nessa caminhada conjunta com sua amada. Se haverá aidna algo a mais para se construir, isso só o futuro dirá. Quanto ao presente, a única coisa que ele pode afirmar é que "pelo que foi, já valeu".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa última frase é cantada duas vezes, e dentre de um acorde musical que, ao que parece, não resolve a tensão própria da harmonia desta música. Isso, de fato, parece acontecer somente mais tarde, depois de um belíssimo sólo de berimbau. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;p align="justify"&gt;Com isso, a impressão que se tem é que esta irresolução da música reflete uma inconclusão da própria caminhada amorosa do cantor que ainda continua, mesmo depois de finalizada suas reflexões sobre aquilo que já viveu. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-6487047714641460451?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/6487047714641460451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=6487047714641460451' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6487047714641460451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6487047714641460451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/17-anna-e-eu.html' title='17. Anna e eu'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfwdIjQngbI/AAAAAAAAAI8/6aRz5MGjPgk/s72-c/annaandtheking_03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-8322981978686214021</id><published>2007-03-16T09:30:00.000-07:00</published><updated>2007-03-18T11:07:19.583-07:00</updated><title type='text'>16. Todas elas juntas (3)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"A luz do sol da vida" &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfrbBTQngaI/AAAAAAAAAI0/kzgAcYBUSPA/s1600-h/veredas2g.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042583548191015330" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfrbBTQngaI/AAAAAAAAAI0/kzgAcYBUSPA/s400/veredas2g.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dois textos que escrevi sobre a música "Todas elas juntas num só ser", eu falei bastante sobre as reflexões a que ela me conduziu, porém, falei pocu sobre a música em si. Assim, darei início a esta nova reflexão citando os primeiros versos da canção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não canto mais Babete nem Domingas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nem Xica nem Tereza, de Ben jor;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nem Ana nem Luiza, do maior;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já não homenageio Januária, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;\ Joana, Ana, Bárbara, de Chico;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nem Yoko, a nipônica de Lennon; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico&lt;/em&gt;;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nesses tempos de internet, em que a escrita agora conta com o recurso de hiperlinks, creio que um trabalho interessante a se realizar com a letra dessa canção seria reproduzí-la com hiperlinks nas referências musicias que ela faz através das musas da MPB. Seria um trabalho bastante árduo, devido à extensão da letra, mas esria por demais itneressante além de educativo no sentido amplo do termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caráter enciclopédico não é o único que chama a atenção nesta música. Como se pode ver, nos seus primeiros versos que citei, ela é toda rimada: o "maior" rima com o "Ben Jor", o "Tonico" rima com o Chico e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, além dessa questão de forma, há um outro aspecto muito interessante no que se refere ao conteúdo. Uma leiura atenta da letra poderá mostrar que, apesar do compositor se referir a inúmeras musas, pouco é dito sobre suas qualidades exceto por breves referências das próprias canções das quais elas foram retiradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, quando fala sobre sua amada, o compositor não economiza na descrição. Assim, além dos breves elogios feitos à cada refrão, onde diz, por exemplo, que "&lt;em&gt;só você,Hoje eu canto só você", &lt;/em&gt;no final da canção vemos o seguinte elogio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você pra mim é o sol da minha noite;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É como a rosa, luz de Pixinguinha;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É como a estrela pura aparecida,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A estrela a refulgir, do Poetinha;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você, ó flor, é como a nuvem calma&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No céu da alma de Luiz Vieira;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você é como a luz do sol da vida&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De Steve Wonder, ó minha parceira.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ainda há mais um longo trecho semelhante, que não irei citá-lo aqui para não me prolongar muito - além do fato que o leitor poderá conferí-lo ouvindo a canção. Basta, então, destcar esse curioso ponto: enquanto as musas são apenas mencionadas, a amada é descrita em detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora não deseje, aqui, dogmatizar nada, achei curioso este fato. Sobretudo porque ele é uma ilustração da idéia que eu vinha desenvolvendo no texto anterior: a de que, para ir além da fronteira da admiração e da veneração romântica, é preciso conhecer e conviver com quem se ama. E, quem save, disso surgirá então a consciência de que quem escolhemos equivale a "todas elas juntas num só ser".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, que nem sempre uma relação amorosa nos leva a essa conclusão. As vezes, o que se toma consciência é justamente do contrário. Mas, de qualquer maneira, é uma consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, sem esperar, ouvi um senhor falando a outro sobre a importância de se ter uma "boa esposa", pois, segundo ele, uma esposa pode tanto ajudar o homem a realizar-se na vida quando levá-lo à ruina. Sim, creio que o mesmo vale para os maridos também, mas na ocasião falava-se apenas das esposas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro de Eclesiaster (aquele que já citei no meu texto anterior) traz uma reflexão de alguém que teve a oportunidade de realizar-se na vida, todos os seus sonhos e projetos. No entanto, após isso, chegou à conclusão de que o sentido não está na realização do trabalho em si, mas, sim, na alegria que isto pode gerar em quem o realiza. Senão acharmos essa alegria, diz o autor, tudo o mais é vaidade e &lt;em&gt;"correr atrás do vento" [&lt;/em&gt;Eclesiastes 1:10-11].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma, é uma reflexão próxima daquela presente na obra de Guimarães Rosa quando diz que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A beleza não está na partida nem na chegada, mas na travessia."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor ainda quando se tem uma boa companhia, para esta grande caminhada que é a vida. É o que diz o mesmo autor de Eclesiastes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Desfrute a vida com a muher a quem você ama, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;todos os dias desta vida sem sentido que &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deus dá a você debaixo do sol; (...) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pois essa é sua recompensa na vida &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;pelo seu árduo trabalho debaixo do sol." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[Eclesiastes 9:9]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, nem todos conseguem extrair alegria do seu trabalho ou desfrutar da vida na companhia de alguém que se ama. Nesse caso, além da procura, resta a necessidade de um ideal para nortear essa procura que pode ser tão grande quanto o sertão de Rosa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-8322981978686214021?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/8322981978686214021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=8322981978686214021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/8322981978686214021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/8322981978686214021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/16-todas-elas-juntas-3.html' title='16. Todas elas juntas (3)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfrbBTQngaI/AAAAAAAAAI0/kzgAcYBUSPA/s72-c/veredas2g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-7951647962282133231</id><published>2007-03-16T06:20:00.000-07:00</published><updated>2007-03-16T07:06:53.364-07:00</updated><title type='text'>15. Todas elas juntas (2)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Em busca da musa perdida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfqkKDQngYI/AAAAAAAAAIk/sSuIS5zT2X0/s1600-h/monalisa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042523225375342978" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfqkKDQngYI/AAAAAAAAAIk/sSuIS5zT2X0/s400/monalisa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este ano, de 2007, teve início com duas grandes exposições das obras de Leonardo da Vinci: uma em São Paulo e outra em Campinas. Curiosamente, essas exposições tem um mesmo aspecto em comum: a reconstituição de seus projetos inventivos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leonardo da Vinci, como se sabe, foi, dentre outras coisas, pintor, inventor, cientista, arquiteto, engenheiro, filósofo e anatomista. Por isso tudo ele é o símbolo de uma época, o renascimento, caracterizada pela valorização da razão e do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, embora sejamos herdeiros dessa época, hoje dificilmente seria possível surgiu um outro da Vinci. Não porque "não se fazem mais gênios como antigamente", mas pelo fato de que as ciências se especializaram tanto que, nos dias atuais, temos que decidir se queremos ser ou arquiteto ou filósofo ou qualquer outra coisas. E, mesmo para aquele que já se decidiu pela filosofia, por exemplo, haverá de posteriormente ter que decidir entre a filosofia moderna, medieval, clássica, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, todos podem filosofar, utilizar a matemática e ainda ter como hobby pintar quadros. No entanto, para fazer algo novo, isto é, deixar sua contribuição para alguma das áreas do conhecimento humano, exige uma especialização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, embora existe beleza na proposta renascentista do homem integral cujo desenvolvimento estaria ancorado no equilíbrio entre mente, corpo e espeírito, o fato é que as escolhas profissiionais que temos que fazer hoje em dia frequentemente implia na exclusão de outra área do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, há exceções e eu conheço, inclusive, alguns casos interessantes de pssoas que procuram conciliar duas diferentes áreas do conhecimento. Mas, embora esse seja frequentemtente o caminho para as inovações, esses casos que conheço normalmente estão mais ligados à uma busca romântica por um ideal cuja busca implica em grandes sacrifícios pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por falar em romantismo, deixe-me entrar logo no tema que proponho discutir aqui: a música "&lt;em&gt;Todas elas juntas num só ser"&lt;/em&gt;, de Lenine. Conforme já havia dito anteriormente, ela é uma genial enciclopéida cantada das musas da MPB: de A a Z, como diz um trecho dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolher é uma qualidade e uma necessidade humana. Pasamos o dia todo tendo que fazê-las, e mesmo quando nos recusamos a fazê-las já estamos, assim, fazendo a escolha de nos adeqüarmos ao que foi estabelecido. Escolher, não raro, implica num sofrimento porque uma escolha imlica em abrir mão de todas as outras possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem toda escolha é uma dor, ao menos em determinado momento do processo. Uma velha canção chamada "As Três Cuiabanas" narra a história de certo homem que, numa viagem a trabalho, viu-se enamorado de três lingas irmãs. Quem dera se todas nossas escolhas fossem assim, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, chega um momento em que temos que decidir: se vamos ficar com todas as musas ou se vamos, enfim, começar a nos relacionar e a conhecer uma delas abrindo, assim, mão de fazer isso com as outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se digo "todas" é porque a música de Lenine fala de musas e não do seu equivalente masculino. Assim, a julgar pela MPB, as musas e a difícil decisão de escolher uma dentre várias beldades parece ser um dilema propriamente masculino. Ou não?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso, obviamente, falar pelas mulheres. Mas, as vezes tenho a impressão que o sofrimento que elas tem, no seu processo de escolha de alguém parece-me ser mais be fundamentado que os homens que sempre são levados pela ilusão daquilo que vêem. Um texto do livro bíblico que tenho me lembrando sempre que medito nas canções de Lenine, diz algo nesse sentido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"(...)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os olhos nunca se saciam de ver, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;nem os ouvidor de ouvir". &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[Eclesiastes 1:8]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, sob essa premissa, que também faz eco com outro provérbio que diz que "&lt;em&gt;enganosa é a graça e vã a formosura"&lt;/em&gt; (Provérbios 31:30), parece-me que aquilo que vemos numa mulher ou ouvimos dela não devem ser os únicos critérios para nossas escolhas amorosas. Claro, servirá muito bem enquanto quisermos tê-las como musas inspiradoras, e aí poderemos "amar" a todas com a mesma intensidade. Mas, se quisermos ir além e escolher uma que seja "&lt;em&gt;todas elas juntas num só ser&lt;/em&gt;", então o trabalho será maior.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-7951647962282133231?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/7951647962282133231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=7951647962282133231' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/7951647962282133231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/7951647962282133231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/15-todas-elas-juntas-2.html' title='15. Todas elas juntas (2)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfqkKDQngYI/AAAAAAAAAIk/sSuIS5zT2X0/s72-c/monalisa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-2118492974694870068</id><published>2007-03-16T05:53:00.000-07:00</published><updated>2007-03-16T06:19:42.989-07:00</updated><title type='text'>14. Todas elas juntas (1)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Todas elas juntas num só ser &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfqZJjQngXI/AAAAAAAAAIc/4BK5klIosxg/s1600-h/Jean.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042511122157502834" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfqZJjQngXI/AAAAAAAAAIc/4BK5klIosxg/s400/Jean.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira (e até hoje única) vez que tive a oportunidade de conversar pessoalmente com Lenine foi após um show que ele fez em Belo Horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu na fila, junto as fãs que esperavam para falar com ele, quando uma das meninas que estava na nossa frente lamentava o fato de não ter trazido uma máquina fotográfica para registrar aquele momento raro em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, dispondo de uma máquina coigo, resolvi fazer minha boa ação do dia, ou melhor, da noite. No entanto, aquela não seria a única boa surpresa que a noite reservava para aquela fã. Ao queixar-se, junto ao Lenine, do fato de não exitir nenhuma música que tivesse o nome dela como tema, ele discordou cantando-lhe o trecho de uma canção que ela deve se lembrar ainda hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este acontecimento particular, e a simpatia com que Lenine recebeu meus primeiros textos sobre as suas músicas, conveceram-me que há um interessante vínculo entre o artista e suas composições, pois, naquele momento, vi que a sabedoria, a humildade e a sensibilidade de que falam suas canções também estão presentes no seu jeito de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois deste encontro, continuei a escrever outros textos das suas músicas. Nesses textos, procurei tratar dessas características humanas e musicais em muitas de suas canções, particularmente naquelas que fazem parte do álbum InCité.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, no entanto, gostaria de me deter sobre uma cuja letra encontra-se relacionada a este episódio, que narrei no início desse texto: da noite em que uma fã ouviu seu nome sendo cantado por alguém que ela já admirava muito. Esta canção chama-se "&lt;em&gt;Todas elas juntas num só ser&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando escrevi sobre a canção "Relampiano", eu havia dito que a convivência entre alegria e tristeza é um dos elementos essenciais da música popular brasileira. E a canção de Lenine honrava essa tradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, outro aspecto típico da MPB é o tema do amor romântico, ou melhor, do amor e seus desdobramentos: encontros, desencontros, declarações, protestos de ingratidão, etc. Tome-se, por exemplo, a obra de Chico Buarque. É certo que ele possuia belíssimas canções políticas de protesto, sobretudo contra a ditadura, mas o que faz mesmo sucesso hoje em dia são suas canções que falam do amor - com o curioso detalhe de narrar as situações sob a perspectiva de uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não raro, as música de Chico trazem nomes de mulheres no tema ou mesmo no título. Alguns anos atrás, eu estava conversando com uns amigos justamente sobre esse aspecto. Aliás, muito proveitoso para quem já se enamorou de uma Carolina, Cecília, Teresa, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se o nome da amada não consta no repertório de Chico, pode-se ainda procurar entre Ligia, Luiza e outras da musas da MPB que generosamente pode contribuir para ajudar os homens a se declararem e para tornar as mulheres mais felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, parece que algumas músicas se perdem no tempo. Além daquela canção que trazia o nome da fã de Lenine, há também uma lidna canção chamada Luciana que eu a ouvi, por completo, num único momento da minha vida: no casamento da irmã de um amigo meu. Sim, adivinhem como ela se chamava?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Todas elas juntas num só ser&lt;/em&gt;", a faixa de número oito do álbum InCité de Lenine, faz então um apanhado enciclopédico dessas musas da MPB. A letra ficou enorme e, cá entre nós, creio que Lenine considera um grande feito de memória cantá-la de cor e no ritmo elaborado para esta música. Ao menos, eu não somente considero como uma realização intelectual como, também, um grande feito (além de uma homenagem) à MPB e suas mulheres maravilhosas que sempre a inspirou e a promoveu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-2118492974694870068?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/2118492974694870068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=2118492974694870068' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/2118492974694870068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/2118492974694870068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/14-todas-elas-juntas-1.html' title='14. Todas elas juntas (1)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfqZJjQngXI/AAAAAAAAAIc/4BK5klIosxg/s72-c/Jean.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-8835309902163617548</id><published>2007-03-11T11:10:00.000-07:00</published><updated>2007-03-12T06:47:38.135-07:00</updated><title type='text'>12. Relampiano (2)</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;"A cidade cresce junto com o neném"&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfRPdTQngUI/AAAAAAAAAIE/-OxYW3-U2Ag/s1600-h/nr_crianca_006.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040741247739199810" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfRPdTQngUI/AAAAAAAAAIE/-OxYW3-U2Ag/s400/nr_crianca_006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci numa época em que se tinha uma crença social mais ou menos comum: a do &lt;em&gt;selfmademan&lt;/em&gt;, ou seja, a crença de que é possível para um homem "fazer-se" sozinho na vida, desde que ele seja uma pessoa esforçada e determinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro dessa ideologia, não importava qüão humilde fosse a origem da pessoa, pois, com trabalho duro e determinação ele haveria de "se fazer" tornando-se, assim, um homem rico. E o mérito, obviamente, caberia somente a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma ideologia basilar do capitalismo e, embora eu tenha crescido num tempo em que acreditava muito nela, descobri recentemente que esta ideologia (ao que me parece, originalmente, norte-americana) já vinha sendo disseminada no Brasil desde o início do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, meu objetivo aqui não é o de fazer uma crítica ao &lt;em&gt;selfmademan. &lt;/em&gt;Até mesmo porque, hoje em dia, esta não parece mais ser uma ideologia muito em boga - embora este presente aqui e acolá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, embora esta ideologia não seja algo propriamente ruim, ela parece estar baseada em algo extremamente ingênuo: o pressuposto de que uma pessoa pode realizar-se sozinha. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Digo ingênuo porque, como sabe qualquer pai de família, dependemos das pessoas desde o dia do nosso nascimento. Sem contar os professores, mestres, amigos, pais. Em suma: há toda uma rede de interdependência cuja subjetividade contribui decisivamente para aquela pessoa que nos tornamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo que há algo honrado em alguém que, vindo de uma origem humilde, conseguiu subir na vida com determinação e honestidade. Este é o lado bom do &lt;em&gt;selfmademan. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O lado ruim, no entanto, é que nem sempre as pessoas contam com condições favoráveis para esta asenção havendo, não raro, dependentes que nem sempre podem acompanhá-lo nesa busca que, convenhamos, não é algo universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, do lado ruim surge o lado nefasto. Mas, antes de entrar nesse aspecto, gostaria de mostrar o início da canção &lt;em&gt;Relampiano, &lt;/em&gt;de Lenine, que me conduziu a essas reflexões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todo dia é dia, toda hora é hora&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Neném não demora pra se levantar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mãe lavando roupa, pai já foi embora&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E o caçula chora pra se acostumar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com a vida lá de fora do barraco&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hay que endurecer um coração tão fraco&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pra vencer o medo do trovão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sua vida aponta a contramão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tá relampiano, cadê neném?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tá vendendo drops no sinal pra alguém&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se vê, trata-se de uma narrativa de uma família esforçada que trabalha duro: logo de manhã, a mãe já está lavando roupa, o pai já saiu para trabalhar, o filho já está desperto para ir vender drops no sinal e até mesmo o caçula já se prepara para essa vida dura nma espécie de adaptação parcial do lema de Che Guevara: &lt;em&gt;"hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás". &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na segunda parte da música, após o refrão, a narrativa continua a descrição do dia-a-dia dessa vida num barraco onde vemos a mulher aora passando roupa e sabemos, pela descrição, que ela está grávida aguardando um novo filho. A partir desse ponto da música, surge então alguns índices do que chamei de aspecto nefasto da crença do &lt;em&gt;selfmademan: &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo é tão normal, tal e qual&lt;br /&gt;Neném não tem hora para ir se deitar&lt;br /&gt;Mãe passando roupa do pai de agora&lt;br /&gt;De um outro caçula que ainda vai chegar&lt;br /&gt;É mais uma boca dentro do barraco&lt;br /&gt;Mais um quilo de farinha do mesmo saco&lt;br /&gt;Para alimentar um novo João Ninguém&lt;br /&gt;E a cidade cresce junto com neném&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Como diz a música, o "outro caçula" que a mãe espera se tornará, aos olhos da cidade, um "novo João Ninguém" ou "farinha do mesmo saco". Em suma: é como se, mesmo antes de nascer, ele já estivesse condenado a não tornar alguém importante. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Assim, apesar desa família dar duro no trabalho, o destino pré-determinado dessa criança pobre para revelar que a ideologia do selfmademan não se aplica a determinados estratos sociais que estão apartados dessas condições de desenvolvimento social e humano que deveriam ser igualitárias mas não são. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Meditando nesse assunto, acabei me deterndo sobre o seguinte texto bíblico que diz que: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Depois voltei-me, e atentei para todas as&lt;br /&gt;opressões que se fazem debaixo do sol;&lt;br /&gt;e eis que vi as lágrimas dos que foram oprimidos&lt;br /&gt;e dos que não têm consolador, e a força estava do lado&lt;br /&gt;dos seus opressores; mas eles não tinham consolador."&lt;br /&gt;[Eclesiastes 4:1]&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fiquei então me perguntando se as condições de vida, no caso narradas pela música de Lenine, seriam ou não frutos de uma opressão. Trata-se de uma questão que carece de esclarecimento, pois nada mais revoltante do que ouvir alguém de uma classe mais elevada dizer que os pobres são os próprios responsáveis pelas suas condições econômicas. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sim, há uma dose de responsabilidade pessoal no destino de cada indivíduo, mas se as condições não são iguais para todos por que então as exigências de ascenção deveriam ser? &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nesse caso, parece-me que exigir dos mais pobres o mesmo que se exige de um igual (do ponto de vista econômico) é uma forma de participar da opressão que o sistema econômico aplica aos mais pobres que são, também, os mais desfavorecidos do acesso às condições que lhe permitiriam melhorar suas vidas. Assim, para não nos tornarmos co-participes dessa opressão, creio que, na falta de algo melhor a dizer, diveríamos fazer apenas um silêncio respeitoso. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-8835309902163617548?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/8835309902163617548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=8835309902163617548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/8835309902163617548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/8835309902163617548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/12-relampiano-2.html' title='12. Relampiano (2)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfRPdTQngUI/AAAAAAAAAIE/-OxYW3-U2Ag/s72-c/nr_crianca_006.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-6486093916449630991</id><published>2007-03-11T08:52:00.000-07:00</published><updated>2007-03-12T06:48:18.964-07:00</updated><title type='text'>12. Relampiano (1)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;"A tristeza que balança"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfQwvzQngTI/AAAAAAAAAH8/7mkOPcMbwWM/s1600-h/Pierrot.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040707480706318642" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfQwvzQngTI/AAAAAAAAAH8/7mkOPcMbwWM/s400/Pierrot.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CD &lt;em&gt;InCité&lt;/em&gt; de Lenine é composto de um misto de músicas inéditas (como Do It, Vivo, Ninguém faz idéia, Todos os Caminhos, etc.) e de músicas que haviam sido gravadas em álbuns anteriores (como Rosebud, Relampiano, etc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relampiano foi gravada anteriormente por Lenine, no CD "Na Pressão" - o mesmo áblbum que trouxe a famosa canção Paciência. Nesse álbum, a combinação da voz do cantor com o acordeon de Dominguinhos e outros músicos gerou um arranjo tão bonito que até mesmo o reconhecimento do próprio Lenine (ao dizer, ao final da canção, "música bonita essa, hein") acabou ficando registrado na faixa do CD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, isso, note-se, aconteceu no CD "Na Pressão". Na gravação do &lt;em&gt;InCité&lt;/em&gt;, Lenine chamou "apenas" uma baixista e um percucionista de primeira. Foi com bae nesses novos instrumentos que foram elaborados os novos arranjos para as músicas anteriormente gravadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música é realmente belíssima, como disse Lenine, mas a letra é talvez a mais triste de todas aquelas do disco InCité. Bela e triste? Sim. Em termos rítmicos, a música é um xote que, só de ouvir, nos incita a dançar. Mas, a letra fala de uma triste realidade social presente, infelizmente, em muitas famílias brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inezita Barroso disse, certa vez, que essa combinação, ou melhor, esta convivência corriqueira entre alegria e tristesza é um ponto que deixam os estrangeiros pasmados com a nossa música. Nessa mesma oportunidade, Inezita citou como exemplo a famosa marchinha de carnaval que começa falando assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quanto riso, oh quanta alegria &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mais de mil palhaços no salão &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Arlequim está chorando &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pelo amor da Colombina &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No meio da multidão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o carnaval não é a nossa única festa popular que traz essa combinação entre rítimos alegres e letras tristes. O Natal, curiosamente, lhe acompanha. Veja-se, por exemplo, a tradicional música natalina que diz assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu pensei que todo mundo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fosse filho de Papai Noel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bem assim, felicidade&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu pensei que fosse uma&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;brincadeira de papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O final da canção então apresenta como desfecho a não realização do pedido da criança que havia pedido ao Papai Noel, não um brinquedo, mas a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já faz tempo que pedi&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas o meu Papai Noel não vem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com certeza já morreu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ou, então, felicidade&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;é brinquedo que não tem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, essa convivência próxima entre alegria e felicidade parece ser uma das essências da música brasileiras e, ao que parece, se assim não fosse não seria brasileira, pois se, por um lado, temos uma alegria que parece muito mais espontânea e extrovertida do que a de outros povos, por outro lado, ela sempre temperada com uma pontinha de tristeza. Diga-se de passagem, algo que me parece bastante sóbrio dado o contexto social em que vivemos. E é, portanto, dentro desta tradição que a música Relampiano, de Lenine, se insere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em determinado momento da minha vida, não me lembro exatemente porquê, tive a ilusão que a alegria seria algo possível de ser experimentada em todos os dias da vida. Porém, foi a leitura da Bíblia que ensinou-me justamente o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Certamente suave é a luz, e agradável é aos olhos ver o sol.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porém, se o homem viver muitos anos, e em todos eles se alegrar, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;também se deve lembrar dos dias das trevas, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;porque hão de ser muitos. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo quanto sucede é vaidade. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[Eclesiastes 11:7-8]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, parece-me que a convivência entre alegria e tristeza, na MPB, tem lá seu aspecto pedagógico para a vida a ser experimentada neste mundo sejamos, nós, cristãos ou não.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-6486093916449630991?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/6486093916449630991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=6486093916449630991' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6486093916449630991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6486093916449630991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/12-relampiano.html' title='12. Relampiano (1)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfQwvzQngTI/AAAAAAAAAH8/7mkOPcMbwWM/s72-c/Pierrot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-2794622986449180004</id><published>2007-03-10T11:03:00.001-08:00</published><updated>2007-03-26T07:23:58.440-07:00</updated><title type='text'>11. Virou areia</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;strong&gt;“Virou Areia”&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgfXZICJAyI/AAAAAAAAAJU/u9rHdtMbvVg/s1600-h/michelangelo4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046238734145094434" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgfXZICJAyI/AAAAAAAAAJU/u9rHdtMbvVg/s400/michelangelo4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgfXTYCJAxI/AAAAAAAAAJM/RnqnVwpebKM/s1600-h/deuses_gregos.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até novembro de 2006, o museu da FAAP, em São Paulo, esteve com uma impressionante exposição chamada “deuses gregos”. Impressionante a começar pelo fato de que a entrada para ver essas esculturas de dois mil anos, emprestadas pelo museu Pergamon de Berlim, era gratuita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exposição era formada por duas grandes salas. Na sala, à esquerda de que entrava no prédio, estava um conjunto de esculturas interessantes mas já bem danificadas pelo tempo. Porém, a sala à direita era surpreendente, pois, apesar da idade das esculturas essas estavam em perfeito estado de conservação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a entrada gratuita e a idade das esculturas (com , no mínimo, 1500 anos) não era a única coisa impressionante na exposição. A beleza estética deixava todos de boca aberta e o realismo era tão grande que, se uma delas de repente começasse a andar pelo salão, eu provavelmente acharia o fato “bastante natural”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse, o estado de conservação das esculturas era impressionante – o que não é uma conseqüência natural do material empregado mas, sim, da intervenção humana.&lt;br /&gt;Foi pensando sobre isto que lembrei-me de uma reportagem que li, anos atrás, sobre os cuidados que estavam sendo tomados para a preservação da famosa estátua de Davi, esculpida por Michelangelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ter sido transferida da praça principal de Florença para a Galleria dell´Accademia, para uma melhor preservação, a escultura foi limpa. No entanto, antes de limpá-la, os especialistas passaram onze anos discutindo qual seria o processo mais adeqüado para fazê-lo sem danificar a relíquia renascentista de 500 anos, cinco metros e seis toneladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como se não bastassem todos esses cuidados, o museu iria também, na época em que li a reportagem, instalar um sistema high-tech que criaria um muro de ar puro invisível, em volta da estátua, com o objetivo de protegê-la dos efeitos corrosivos do pó trazido pelos visitantes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias, tenho pensado muito nessas esculturas e nesse tema da preservação do patrimônio histórico e cultural. E, como também tem me ocorrido este ano, foi Lenine quem, mais uma vez, me conduziu a essas reflexões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Samba de uma nota só", de João Gilberto, todos conhecem. Porém, a meu ver, Lenine fez uma canção (presente no CD InCité) que poderia ser chamada de “Música de uma palavra só”, ou melhor de duas palavras só: “Virou areia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Cadê a esfinge de pedra que ficava aqui?&lt;br /&gt;Virou areia, virou areia&lt;br /&gt;Cadê a floresta que o mar já avistou dali?&lt;br /&gt;Virou areia, virou areia&lt;br /&gt;Cadê a mulher que esperava o pescador?&lt;br /&gt;Virou areia, virou areia”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o destino das coisas criadas pelo homem parece mesmo ser o de "virar areia". Afinal de contas, mesmo com todos os cuidados descritos acima, no que se refere à escultura de Davi, ela não vai durar para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como sugere a última frase dessa primeira estrofe da canção, não é somente as obras dos homens que desaparecem, mas também o próprio homem. Aliás, "virar areia" foi o legado que Adão (e toda a humanidade) recebeu como castigo por sua desobediência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Do suor do teu rosto comerás o teu pão, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;até que tornes à terra, porque dela foste tomado; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;porquanto és pó, e ao pó tornarás”. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[Genesis 3:19]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, portanto, a luz deste legado que o autor de Eclesiastes (ironicamente: o “filho de Davi”, cuja escultura os especialistas do museu de Florença tentam preservar) fala que o destino de todos os homens é um só:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Todos vão para um lugar, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;todos são pó,&lt;br /&gt;e ao pó tornarão.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[Eclesiastes 3:20]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos atrás, um amigo me dizia que nós, humanos, estamos destinados ao fracasso: por mais que nos esforcemos por nos tornar pessoas melhores e nos aperfeiçoar ou ainda nos mantermos jovens, um dia deixamos tudo para trás. Em suma: “viramos areia”, na expressão de Lenine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, esta pode não ser a reflexão de fim de ano mais otimista que você já ouviu nos últimos tempos. Mas, penso que se não meditarmos vez em quando nesta verdade, podemos correr o risco de ocuparmos nossas vidas com a ilusão de continuarmos sempre jovens, até que um dia, enfim, acordemos já demasiadamente tarde para deixar outro legado, à Terra, senão um pequeno monte de areia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-2794622986449180004?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/2794622986449180004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=2794622986449180004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/2794622986449180004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/2794622986449180004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/11-virou-areia_10.html' title='11. Virou areia'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RgfXZICJAyI/AAAAAAAAAJU/u9rHdtMbvVg/s72-c/michelangelo4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-2240989780486183240</id><published>2007-03-10T11:01:00.000-08:00</published><updated>2007-03-15T16:23:18.393-07:00</updated><title type='text'>Idéia</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os textos postados neste blog correspondem ao conteúdo de um livro que se pretende lançar em versão impressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você gostou da idéia, deixe um comentário &lt;a href="http://comentaqui.blogspot.com/2007/03/comentrios-sobre-projeto-da-cidade-se.html"&gt;clicando aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jean Carlo Faustino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-2240989780486183240?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/2240989780486183240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=2240989780486183240' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/2240989780486183240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/2240989780486183240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/comentrios.html' title='Idéia'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-6949862308445880914</id><published>2007-03-10T10:40:00.000-08:00</published><updated>2007-03-12T07:17:20.271-07:00</updated><title type='text'>10. Rosebud (2)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Dolores e dólares&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfL82jQngRI/AAAAAAAAAHo/QfLexvrE31I/s1600-h/rosebud2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040368947089080594" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfL82jQngRI/AAAAAAAAAHo/QfLexvrE31I/s400/rosebud2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Dolores, dolores, dólares!...”:&lt;/em&gt; assim começa a música “Rosebud (O Verbo e a Verba)” de Lenine. O trocadilho que converte Dolores, nome que alude à dor, para a moeda americana dá o tom para esta letra-poema que terá como personsagens dois dos principais temas do filme “Cidadão Kane” ao qual a música alude: o verbo e a verba, ou seja, o discurso e o dinheiro. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Que dolor, que dolor que me dá los dólares” é uma das frases que encerra a canção e faz ecoar as dores que os dólares trouxeram ao protagonista do filme de Orson Welles e que, de certa forma, já eram previstas pelo próprio personagem quando, numa conversa pessoal, ele diz: “se eu não tivesse tanto dinheiro, talvez eu tivesse me tornado uma pessoa melhor”.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O leitor possivelmente achará que este personagem está (como diz o dito popular) “chorando de barriga cheia”, pois numa realidade social onde as famílias freqüentemente têm que fazer marabalismos para pagar as contas do mês, lamentar a riqueza é algo surreal. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No entanto, mesmo que o “lamento pelo excesso de dinheiro” não seja um hábito freqüente, vale a pena refletir sobre ele já que muitas pessoas acreditam que tornar-se rico é uma espécie de solução para todos os males, inclusive o da tristeza. Sim, todos sabem que isso é uma ilusão mas ela vem sendo tão vendida nas bancas de revistas e programas de TV que talvez não seja em vão lembrar um ou dois ensinamentos sobre isto. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O primeiro vem da própria música de Lenine, que faz alusão ao filme “Cidadão Kane” ou ao Rosebud que ele perdeu durante a vida: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;“O verbo saiu com os amigos&lt;br /&gt;pra bater um papo na esquina,&lt;br /&gt;A verba pagava as despesas,&lt;br /&gt;porque ela era tudo o que ele tinha.&lt;br /&gt;O verbo não soube explicar depois,&lt;br /&gt;porque foi que a verba sumiu.&lt;br /&gt;Nos braços de outras palavras&lt;br /&gt;o verbo afogou sua mágoa, e dormiu.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Claro que esta primeira parte da canção, assim como acontece com outras músicas de Lenine, pode se adeqüar a uma variedade enorme de situações. Mas, com relação ao filme “Cidadão Kane”, que a música alude, esses versos podem representar a síntese do primeiro casamento de Kane onde ele sempre sai para dizer, através do jornal e depois, com sua candidatura, tudo aquilo que ele quer dizer. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;É verdade que, neste momento, ele tem muitas coisas dentre as quais um dos principais jornais da época e um casamento aparentemente feliz. Mas, num diálogo com uma solitária pianista que acabara de conhecer, nota-se que ele também é alguém solitário e que, portanto, a verba era “tudo o que ele tinha”, ou seja, a única coisa que tinha... &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando a música diz que “a verba sumiu”, isso possivelmente significa que não foi o dinheiro que sumiu da vida de Kane mas sim tudo o que ele tinha: as conseqüências da riqueza ou, para ser mais específico, os sonhos de poder que ela propiciava ao seu possuidor. Por isso, após o fracasso de seus planos, o verbo que representa, a palavra “afogou sua mágoa e dormiu”. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Seria possível, ainda, continuar a exposição do enredo de “Cidadão Kane” com base apenas na letra da canção do Lenine mas isto talvez tirasse do leitor o interesse em assistir ao filme e, eventualmente, em conhecer melhor a canção. Portanto, concluirei retomando apenas o que esta música tem em comum com o tema daquela que foi anteriormente tratada: a “Ninguém faz idéia”. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando tratei dessa canção pela última vez, eu disse que ela expressava uma verdade bíblica tratada no livro de Eclesiastes: a de que o sucesso, o prestígio e a riqueza nem sempre são conquistados com base no mérito pessoal, pois dependem sempre da combinação de outras variáveis como o tempo e o acaso. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Esta canção de Lenine mostra, então, como que até mesmo uma grande riqueza não é suficiente para se garantir o sucesso na vida. Por tudo o que Kane possuía (mansão, teatro, jornal, etc.), ele talvez fosse hoje bajulado como o bem-sucedido mas o que o filme nos mostra foi que ele nunca atingiu aquele objetivo pelo qual sacrificou toda a sua vida: o poder. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A maior tragédia, porém, é que além de não atingir o poder ele também nunca obteve aquilo que talvez fosse a sua verdadeira busca e que também é a busca íntima de todos nós mas, durante a vida, acaba sendo eclipsada por aquilo que, acreditamos, ser os meios para alcançá-la. Aliás, transformar o método em finalidade é algo mais do que comum - tanto na ciência quanto na vida secular. E, assim, o que importa e satisfaz nosso coração acaba se perdendo. Disso possivelmente sabia também o salmista quando escreveu: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Agrada-te do Senhor, e ele realizará os&lt;br /&gt;desejos do teu coração.”&lt;br /&gt;[Salmos 37:4] &lt;/em&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-6949862308445880914?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/6949862308445880914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=6949862308445880914' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6949862308445880914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6949862308445880914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/10-rosebud-2.html' title='10. Rosebud (2)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfL82jQngRI/AAAAAAAAAHo/QfLexvrE31I/s72-c/rosebud2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-6488142073620671054</id><published>2007-03-10T10:31:00.000-08:00</published><updated>2007-03-12T07:18:05.128-07:00</updated><title type='text'>09. Rosebud (1)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“Rosebud”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfL7LzQngQI/AAAAAAAAAHg/w0_41H30rWA/s1600-h/rosebud.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040367113138045186" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfL7LzQngQI/AAAAAAAAAHg/w0_41H30rWA/s400/rosebud.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Rosebud (O Verbo e a Verba)” é o título da música que se segue a faixa “Ninguém faz idéia”, tema das reflexões expressas nos meus últimos dois textos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;À primeira vista, a canção parece apenas um jogo de palavras onde o verbo é ecoado na verba, e Dolores em dólares. A princípio, parece que o autor quis fazer apenas uma brincadeira com as palavras construindo um poema conforme as sugestões da “Procura da Poesia” de Carlos Drummond de Andrade onde este sugere o caminho para se escrever poemas: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Penetra surdamente no&lt;br /&gt;reino das palavras.&lt;br /&gt;Lá estão os poemas que&lt;br /&gt;esperam ser escritos. “&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Esta seria, portanto, uma interpretação adeqüada e satisfatória e ponto final. No entanto, o autor parece ter nos deixado uma pista indicando que não se trata unicamente de um jogo de palavras ou de uma poesia construída com base na riqueza de significados e variações da língua. E esta pista encontra-se no título da própria canção, mais especificamente na palavra “Rosebud”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De onde vem Rosebud e o que ela significa? Pergunta análoga a esta foi feita pelo personagem de “Cidadão Kane”, e o enredo do filme corresponde à sua busca para tentar compreender o significado desta palavra que foi a última dita por Kane (o protagonista do filme) antes de morrer. A cena é clássica e já apareceu até num dos episódios dos Simpsons: após pronunciar “Rosebud”, o braço do personagem cai do leito e deixa rolar no chão uma esfera de vidro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Cidadão Kane” é tido como uns melhores filmes da história do cinema. Porém, um detalhe impede que o apreciemos criando um distanciamento que nos inibe, inclusive, de pegá-lo nas videolocadoras: ele foi filmado em 1941, o que significa, dentre outras coisas, que sua estética é diferente daquela que estamos acostumados a ver nas salas de cinema atuais. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Talvez justamente por conta disso o tenha achado, senão chato, um pouco decepcionante quando o assisti há uns dez anos atrás. Porém, motivado pela música de Lenine, peguei-o novamente para assistir e, pasmem, tive que concordar que realmente trata-se de um dos melhores filmes já produzidos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Descobri, então, que rever filmes vistos a muito tempo atrás é uma experiência interessante pois notar coisas que não tinham sido observadas antes indica talvez um certo progresso pessoal na sensibilidade para a arte. E, convenhamos, é muito bom quando percebemos que pelo menos em alguma coisa a gente melhora com o passar do tempo... &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No entanto, a sensibilidade visual, assim como outras coisas na vida, é algo que se aprende. Nesta segunda experiência com o filme, pude ver, por exemplo, como que o diretor utilizou-se das sombras para completar a idéia de uma cena. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Uma cena em que o diretor utiliza-se desse recurso da sombra ocorre quando o personagem Kane está submetendo, a segunda esposa, a uma missão que ela não é capaz de cumprir e da qual ela tenta fugir mas sente-se, também, impotente para isso. Então, além da aflição no seu rosto e da inflexibilidade na voz de Kane, a sombra de uma grade de prisão se projeta no seu rosto sugerindo, assim, a situação na qual ela se encontrava. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Antes de ter assistido ao “Cidadão Kane”, de Orson Welles, eu havia assistido um documentário mais ou menos raro e, ao que me parece, ainda inédito na televisão brasileira. Este documentário intitulado “Acima do Cidadão Kane” trata das relações entre uma certa indústria jornalística brasileira e o poder político no Brasil. O mesmo foi produzido pela BBC e pode ser encontrado na &lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/08/260618.shtml"&gt;Internet &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por influência, então, desse interessante documentário e, também, por outros casos reais análogos, eu sempre olhei para o “Cidadão Kane” como um filme que tratava desse assunto que já foi chamado de “quarto poder” da democracia: a mídia. No entanto, passado uma década, e sob a influência da canção de Lenine o meu olhar para o filme foi outro. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Descobri, assim, não somente um outro aspecto bastante interessante no filme como, também, a maneira como ele se relaciona com a canção “Rosebud (O Verbo e a Verba)” e, ainda, qual a relação desta canção com àquela que a antecede no CD: “Ninguém faz idéia”. Tudo isso, após esta necessária introdução, será retomado no próximo texto. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-6488142073620671054?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/6488142073620671054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=6488142073620671054' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6488142073620671054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6488142073620671054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/09-rosebud.html' title='09. Rosebud (1)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfL7LzQngQI/AAAAAAAAAHg/w0_41H30rWA/s72-c/rosebud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-4819661926883404487</id><published>2007-03-09T16:22:00.000-08:00</published><updated>2007-03-12T07:19:56.665-07:00</updated><title type='text'>08. Todos os Caminhos (3)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“o escuro que se vê...”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfH9RjQngPI/AAAAAAAAAHY/xntNRjwWS34/s1600-h/cristo%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040087935968837874" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfH9RjQngPI/AAAAAAAAAHY/xntNRjwWS34/s400/cristo%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nos dois últimos textos, tratei das duas primeiras partes da música “Todos os Caminhos” de Lenine. Resta, porém, tratar da terceira e última parte que começa assim:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Por tudo que andei e por tanto que faltar&lt;br /&gt;não dá pra se prever nenhum futuro&lt;br /&gt;o escuro que se vê quem sabe pode iluminar&lt;br /&gt;os corações perdidos sobre o muro&lt;br /&gt;e o certo é que eu não sei o que virá.”&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem, nada mais pós-moderno do que uma frase como esta que diz que “o escuro pode iluminar”... E, para quem se acostumou a olhar o mundo em tons totalmente claros ou escuros, a penumbra sempre é algo meio desconfortante. Busquemos, então, “esclarecer” o significado desta expressão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vinicius de Moraes dizia (cantava) que para fazer um bom samba é preciso um bocado de tristeza – pois “o samba é a tristeza que balança \ e a tristeza tem sempre uma esperança de não ser mais triste não”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dizem também que para se compor um bom blues é preciso experimentar o sofrimento. E o blues assim pode ser compreendido como uma maneira de se colocar, então, acima dessa dor presente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Algumas das mais belas páginas da literatura universal foram produzidas quando seu autores passavam por situações difíceis – e “quem sabe”, nessas condições, continuar escrevendo a obra era não só uma necessidade econômica mas também um imperativo existencial. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Algo semelhante se observa no plano das poesias onde mesmo o poeta sendo, como diria Fernando Pessoa, um “fingidor”, há uma boa dose de verdade que causa, no leitor, uma identificação mesmo quando o sofrimento se dá em circunstâncias diferentes. Foi justamente por um fato desses que um poema de um inconfidente brasileiro foi traduzido para o russo, por um dos maiores poetas daquela língüa, ainda no século XIX quando os meios de comunicação eram bastante precários. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A escuridão, ou seja, o sofrimento, a desorientação ou qualquer outra circunstância ou período da vida que nos impeça de ver as coisas claramente “quem sabe” - como diz a música de Lenine – pode servir como luz para outras pessoas que, mais tarde, venham a apreciar o poema que elaboramos, a música que produzimos, ou a reflexão que escrevemos em momentos ou em dias muito distantes dos nossos sonhos de felicidade mas que, enfim, fazem parte da vida como já escreveu um sábio do passado: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Se, pois, o homem viver muitos anos,&lt;br /&gt;regozige-se em todos eles;&lt;br /&gt;contudo lembre-se dos dias das trevas,&lt;br /&gt;porque hão de ser muitos.”&lt;br /&gt;[Eclesiastes 11:8] &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jó foi um homem que teve muito dias ruins em sua vida. Não merecia, mas teve. Mas, como é notório: não vivemos só o que merecemos nesta vida. E, aliás, talvez seja mesmo melhor desta maneira pois, assim, ao menos podemos ter esperança de redenção. E foi esta a esperança que Jó teve quando, em meio à escuridão desses dias ruins, disse: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Pois eu sei que meu Redentor vive, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e que por fim se levantará sobre a terra.” &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[ Jó 19:25 ]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pelo menos dois aspectos interessantes nesta passagem bíblica. O primeiro é o de que, poucos versículos antes, Jó desejava muito que suas palavras fossem registradas para a posteridade – o que mostra a importância de registrarmos/manifestarmos o nosso sofrimento e a esperança de superá-lo. Se não o fizermos, talvez as próximas gerações desaprendam a lidar com a dor. Aliás, a julgar por algumas evidências atuais, é possível que a nossa geração já tenha desaprendido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O segundo aspecto importante, da passagem mencionada, é o de que Jó professa esta sua crença muito antes de sair da escuridão. Será que se não acreditasse na existência do seu redentor, um dia ele teria saído dessas trevas? É possível que sim... Mas que relevância teria, isso, para nós hoje em dia?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-4819661926883404487?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/4819661926883404487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=4819661926883404487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/4819661926883404487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/4819661926883404487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/08-todos-os-caminhos-3.html' title='08. Todos os Caminhos (3)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfH9RjQngPI/AAAAAAAAAHY/xntNRjwWS34/s72-c/cristo%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-6890641821064468325</id><published>2007-03-09T16:04:00.000-08:00</published><updated>2007-03-12T07:22:01.023-07:00</updated><title type='text'>07. Todos os Caminhos (2)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“É tanta coisa pra se desvendar”&lt;/strong&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfH4VzQngOI/AAAAAAAAAHQ/sjd2jDJGOHg/s1600-h/weekend600.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040082511425143010" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfH4VzQngOI/AAAAAAAAAHQ/sjd2jDJGOHg/s400/weekend600.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No texto anterior, ao tratar da música “Todos os Caminhos”, eu havia encerrado dizendo que valeria a pena meditar sobre as lições a que o autor, isto é, o eu lírico da canção tinha chego na sua reflexão sobre o tempo como principal recurso e obstáculo para a realização dos sonhos e desejos na vida. Após chegar a conclusão de que “o certo é que não sei o que virá”, a canção diz: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Só posso te pedir que nunca se leve tão a sério&lt;br /&gt;Nunca se deixe levar&lt;br /&gt;Que a vida é parte de um mistério&lt;br /&gt;É tanta coisa pra se desvendar”.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No texto anterior, eu também havia dito que as reflexões do autor ecoavam questões universais e milenares sobre as incertezas do destino pessoal do homem diante do futuro. Nessa segunda parte da música, pode-se dizer que as questões universais permancem pois a primeira lição a que o autor chega, “nunca se leve tão a sério”, pode ser vista como uma espécie de nova tradução do seguindo provérbio elaborado por Salomão, milênios atrás: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Não seja demasiadamente justo, nem&lt;br /&gt;demasiadamente sábio. (...)”&lt;br /&gt;[Eclesiastes 7:16]&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, se o autor da canção nos diz, ou melhor, recomenda, implicitamente, ao seu interlocutor que coloque um pouco de humor e deboche na sua vida, ele também sugere para que “nunca se deixe se levar” o que, a exemplo da lição anterior, também ecoa outro ensinamento do rei Salomão, quando este disse que muitas das coisas e desejos que perseguimos na vida são vaidade – são como “correr atrás do vento”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, foi um discípulo de Cristo, séculos depois de Salomão, que veio a retomar este mesmo problema - sobre não se deixar levar pelo vento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“até que todos cheguemos à unidade da fé e &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;do pleno conhecimento do Filho de Deus, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;ao estado do homem feito (...) &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;para que não mais sejamos meninos, inconstantes, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;levados ao redor por todo o vento de doutrina (...)”&lt;br /&gt;[Carta aos Efésios 4:13-14]&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portanto, para se evitar que fiquemos correndo atrás do vento, o discípulo de Cristo recomenda que busquemos aumentar o conhecimento daquilo que acreditamos – o que converge com o pensamento do autor da canção “Todos os Caminhos” quando, no refrão já citado aqui, diz que: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A vida é parte de um mistério&lt;br /&gt;É tanta coisa pra se desvendar.” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;A vida, assim, ganha um sentido muito particular e, ao mesmo tempo, curioso: o de se desvendar este grande mistério de que a própria vida faz parte. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar, seria ainda interessante olhar uma última vez para esta segunda parte da música aqui em questão pois, na segunda e última vez que ela é cantada, essa última frase – que fala da vida enquanto mistério a ser desvendado – é substituída pela seguinte sentença: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“ Que a vida, a nossa vida, passa&lt;br /&gt;E não há tempo pra desperdiçar.” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;O livro de Salmos que, a propósito, é um registro de canções elaboradas com a finalidade de exaltar a Deus, ao mesmo tempo em que revela suas qualidades e a maneira como seus autores o buscaram em diferentes circunstâncias da vida, possui uma passagem cujo sentido é ecoado nesta última estrofe da música de Lenine: &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Ensina-nos a contar os nossos dias para&lt;br /&gt;que alcancemos corações sábios”.&lt;br /&gt;[Salmos 90:12]&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, como diz a canção de Lenine: “nossa vida passa” e, à medida que isso ocorre, diminui o tempo que nos é dado viver. E, já “que não há tempo pra desperdiçar” com coisas vãs que nos levem a “correr atrás do vento” seria realmente sábio que aprendessemos “a contar os nossos dias” e, para isto, o salmista pedia ajuda de Deus. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, pode-se dizer que a humildade diante do criador também faz parte da vida e da tarefa de desvendar seus mistérios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-6890641821064468325?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/6890641821064468325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=6890641821064468325' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6890641821064468325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6890641821064468325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/07-todos-os-caminhos-2.html' title='07. Todos os Caminhos (2)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfH4VzQngOI/AAAAAAAAAHQ/sjd2jDJGOHg/s72-c/weekend600.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-1876804114102233015</id><published>2007-03-09T14:45:00.000-08:00</published><updated>2007-03-12T07:25:33.346-07:00</updated><title type='text'>06. Todos os caminhos (1)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;"Meus sonhos e desejos"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHltzQngMI/AAAAAAAAAHA/sl72JGSxuU4/s1600-h/pisa-tor%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040062033021075650" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHltzQngMI/AAAAAAAAAHA/sl72JGSxuU4/s400/pisa-tor%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todos os Caminhos”, a canção que se segue à faixa “Ninguém faz idéia”, no CD “Incité” de Lenine, começa da seguinte maneira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Eu já me perguntei se o tempo poderá&lt;br /&gt;realizar meus sonhos e desejos”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se vê, logo de início nos é apresentado uma curiosa construção poética na qual o poder de realizar os sonhos e desejos é entregue ao tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de um interessante rearranjo de uma reflexão adulta com a qual inevitavelmente iremos nos deparar em algum momento da vida quando, com base no que já conseguimos e no preço que isso nos custou, olharemos para o horizonte que temos à frente e nos perguntaremos: “será que ainda conseguirei realizar tudo que sonhei ou seria mais prudente reconhecer os meus limites e contentar-me com o que já conquistei?” Nos versos seguintes, o autor expressa as raízes do seu questionamento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Será que eu já nem sei por&lt;br /&gt;onde procurar ou todos&lt;br /&gt;os caminhos dão no mesmo?&lt;br /&gt;O certo é que eu não sei o que virá.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se, portanto, que não se trata de uma reflexão puramente abstrata, pois os versos dão a entender que o eu lírico da canção já procurou os caminhos mas que esses conduziram a resultados que fizeram-no questionar sua capacidade de escolha conduzindo-o à seguinte conclusão: “o certo é que eu não sei o que virá”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, portanto, de uma frase que parece ecoar o tema da canção anterior,, na qual o compositor dizia que “ninguém faz idéia de quem vem lá”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, tratam-se de versos que ecoam também apreensões humanas milenares sobre as incertezas sobre o futuro pessoal. Digo milenares porque a encontramos também em livros bíblicos: nos Evangelhos, nas cartas escritas pelos discípulos, nos textos do rei Salomão, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que uma preocupação demasiada em garantir um futuro tranqüilo pode levar uma pessoa à avareza e a um comportamento materialista centrado somente em si. Sobre este perigo, Cristo nos advertiu no conhecido “Sermão do Monte”. Esta, porém, não parece ser a questão da música de Lenine. A questão, alí, parece estar vinculada com os desejos do coração e com a limitação de recursos – sobretudo o tempo – para realizá-los. Cristo, curiosamente, tratou de um tema análogo quando falou que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Pois qual de vós, pretendendo&lt;br /&gt;construir uma torre, não se&lt;br /&gt;assenta primeiro para calcular&lt;br /&gt;a despesa e verificar se tem&lt;br /&gt;os meios para a concluir?&lt;br /&gt;Para não suceder que, tendo&lt;br /&gt;lançado os alicerces e não&lt;br /&gt;a podendo acabar, todos os&lt;br /&gt;que a virem zombem dele,&lt;br /&gt;dizendo: este homem começou&lt;br /&gt;a construir e não pôde acabar.”&lt;br /&gt;[Lucas 14:28-30]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;Cristo tomou como exemplo um homem que pretendia construir uma torre – e, na continuação do texto, fala também de um rei que estava indo para uma batalha. Mas, obviamente, a “torre” é uma metáfora de uma outra coisa que pode, por exemplo, ser compreendida com os “sonhos e desejos” da música de Lenine, ou seja, com algo que diz respeito às maiores realizações das nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;O autor da música parece estar, portanto, ponderando este mesmo tipo de questão e nos ensinando, talvez, que uma reflexão semelhante pode ser um dos caminhos não somente para se lidar com as incertezas do futuro como, também, para meditar nas lições que nosso passado, isto é, que a nossa história tem a nos ensinar. Aliás, sobre esse assunto, valeria a pena constatar as lições apreendidas pelo autor na continuação desta música.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-1876804114102233015?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/1876804114102233015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=1876804114102233015' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/1876804114102233015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/1876804114102233015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/meus-sonhos-e-desejos-todos-os-caminhos.html' title='06. Todos os caminhos (1)'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHltzQngMI/AAAAAAAAAHA/sl72JGSxuU4/s72-c/pisa-tor%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-844735900745233889</id><published>2007-03-09T14:03:00.000-08:00</published><updated>2007-03-12T07:26:21.483-07:00</updated><title type='text'>05. Ninguém faz idéia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ninguém faz idéia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHg0zQngLI/AAAAAAAAAG4/RfXo9_qxGs0/s1600-h/show-tomze.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040056655722021042" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHg0zQngLI/AAAAAAAAAG4/RfXo9_qxGs0/s400/show-tomze.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa o show. Da escuridão surge um pequeno foco de luz e, nele, caminha o aguardado músico que já vem tocando os primeiros acordes de uma canção conhecida de seu público cujo refrão diz que “ninguém faz idéia de quem vem lá”. Mas claro que todos ali presentes não tem a menor dúvida de que “quem vem lá” é o próprio: Lenine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, quem nós esperaríamos surgir naquele mesmo palco há cinco ou dez anos atrás quando Lenine não tinha ainda a notoriedade que tem hoje? Aliás, será que o próprio Lenine fazia idéia de que um dia chegaria ao sucesso que tem alcançado atualmente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, portanto, na música em questão, um significado especial para um artista que sobe ao palco cantando esta música. Entre outras coisas, ele está lembrando não somente para o seu público mas para si próprio que, com relação, ao futuro: “ninguém faz idéia de quem vem lá”. Hoje “quem vem lá” é Lenine, mas amanhã pode ser:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“os do cyberespaço &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a capa do mês da Playboy&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o novo membro da Academia &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o mito que se auto-destrói.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lenine e os músicos que o acompanham há anos, têm um talento musical inquestionável. No entanto, quem poderia lhe garantir que esse talento o conduziria ao sucesso que hoje possui? Gostamos de acreditar que este é o “caminho natural”, mas a verdade é que, como em tudo na vida, o sucesso nem sempre tem haver com a nossa capacidade e competência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Os velozes nem sempre vencem a corrida;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;os fortes nem sempre triunfam na guerra;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;os sábios nem sempre têm comida; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;os prudentes nem sempre são ricos;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;os instruídos nem sempre têm prestígio;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;pois o tempo e o acaso afetam a todos.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[ Eclesiastes 9:11 ]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, ser “vencedor” depende mais do “tempo e do acaso” do que da nossa própria capacidade ou talento pessoal. Assim, possuir uma determinada vocação profissional pode, numa época, lhe conduzir ao sucesso mas em outra não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, a canção “Ninguém faz idéia” menciona diferentes categoriais (não somente profissionais) que ao longo do tempo estiveram em evidência e em outros não. E uma das “categorias” citadas é a dos caminhoneiros que há mais ou menos uma década atrás, quando ninguém mais parecia acreditar na eficácia das mobilizações sindicais, fizeram uma greve que parou o Estado de São Paulo levando o poder público a responder de maneira rápida e positiva ao protesto contra o aumento abusivo dos pedágios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos nessa mesma época, um artista ressurgia das cinzas: Tom Zé que, dentre outras, havia participado ativamente do Tropicalismo mas que, diferentemente de Gil e Caetano havia caído no esquecimento. Em 1999, numa longa e divertida entrevista para a revista “Caros Amigos” ele então contava sobre o seu inesperado sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos aspectos mais curiosos desta entrevista, que hoje pode ser lida na &lt;a href="http://carosamigos.terra.com.br/outras_edicoes/grandes_entrev/tom_ze.asp"&gt;Internet&lt;/a&gt;, é que, depois de tanto tempo tentando “em vão” a carreira de músico, ele já pensava em trabalhar num posto de gasolina, do sobrinho, no interior da Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginem só: Tom Zé, com toda a sua genialidade musical e originalidade artística abastecendo carros num longíqüo posto do interior! No entanto, quem pode dizer se não há, no interior do país, outros “Tom Zés” esquecidos, deixados pra trás, que não encontraram “seu caminho” por falta de opção, de instrução, de uma oportunidade ou de um meio cultural e social mais favorável ao desenvolvimento de suas capacidades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da redescoberta de Tom Zé, de tão inusitada, parece providencial. No entanto, não me ocuparei dela para não privar o leitor do prazer de ler a entrevista na íntegra e, assim, conhecer um pouco mais desta personalidade tão original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;im, talvez eu tenha que concordar que a música de Tom Zé não é lá a coisa mais fácil de compreender ou apreciar. Contudo, seu valor artístico é inegavelmente maior do que muitos outros músicos que fizeram fama e fortuna enquanto ele permanecia no ostracismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, durante este período e ainda nos dias de hoje, o sucesso da mediocridade musical é tão notório que eu nem preciso me deter muito sobre este ponto. Resta, apenas, colocar a questão sobre até que ponto vale a pena continuar se sacrificando por uma “causa nobre” quando a sociedade não lhe dá uma recompensa mínima o suficiente para se ter uma vida digna...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-844735900745233889?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/844735900745233889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=844735900745233889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/844735900745233889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/844735900745233889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/ningum-faz-idia.html' title='05. Ninguém faz idéia'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHg0zQngLI/AAAAAAAAAG4/RfXo9_qxGs0/s72-c/show-tomze.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-485939504249433027</id><published>2007-03-09T13:59:00.000-08:00</published><updated>2007-03-12T07:27:00.804-07:00</updated><title type='text'>04. Vivo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Vivo &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHgfzQngKI/AAAAAAAAAGw/AAI7WqEbLkk/s1600-h/vivo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040056294944768162" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHgfzQngKI/AAAAAAAAAGw/AAI7WqEbLkk/s400/vivo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira impressão que a música “vivo” me causou foi a de uma canção que brincava com as palavras, numa espécie de jogo poético de sinônimos. Isto, de fato, acontece quando Lenine canta, logo na primeira estrofe da canção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Precário, provisório, perecível, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;falível, transitório, transitivo, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;efêmero, fugaz e passageiro:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;eis aqui um vivo"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os adjetivos acima parecem sinônimos, embora o "transitivo" tenha um duplo significado já que é um qualificativo tanto do vivo (ser humano) como também de alguns verbos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este último detalhe então deu-me uma pista de que havia, na música, algo mais profundo do que um mero jogo de palavras como fez, por exemplo, Arnaldo Antunes na letra da canção "Poder", pois se, por um lado, "transitivo" é aquilo que dura pouco, ou seja, algo transitório e passageiro como a vida do homem na Terra, por outro lado, na gramática, é também um qualificativo dos verbos que necessitam de um ou mais complementos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, se lermos o "transitivo" com este segundo possível significado teremos que a vida do ser humano (o "vivo" da canção) é algo que também depende de complementos. E, de fato, depende, por exemplo: da vida, da companhia, da admiração, do reconhecimento e do amor de outras pessoas - a exemplo do que acontece também com a obra de um artista, que necessita do público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas reflexões levaram-me à segunda impressão causada pela música "vivo": a de que seu compositor, apesar do sucesso que tinha alcançado com o lançamento do CD, a que pertence esta canção, tinha também consciência de quão efêmero, fugaz e passageiro é esta fama que já atingiu e se afastou de tantos outros músicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira impressão ocorreu-me quando prestei uma atenção maior na terceira estrofe da música, onde o cantor diz que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"E apesar - Do tráfico, do tráfego equívoco. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Do tóxico do trânsito nocivo; (...) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E apesar dessas e outras, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O vivo afirma, firme, afirmativo: &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que mais vale a pena é estar vivo."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época, eu estava relendo o livro de Eclesiastes, onde encontrei a ressonância dessas idéias na passagem que o autor diz que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Ora, para aquele que está na companhia dos vivos há esperança; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;porque melhor é o cão vivo do que o leão morto. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pois os vivos sabem que morrerão, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;mas os mortos não sabem coisa nenhuma, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;nem tampouco têm eles daí em diante recompensa. (...)" &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[ Eclesiastes 9:4-5 ]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente o leitor já ouviu a frase "enquanto há vida, há esperança". Parece piegas, mas a verdade é que, como diz a música, "apesar dessas e outras", isto é, de todos os fatores externos e internos ao ser humano, enquanto ele está vivo ainda há chances de que as coisas mudem e de que ele possa encontrar aquilo que seu espírito tanto deseja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, uma quarta e última impressão ocorreu-me quando, dias atrás, eu ouvia uma sinfonia (número 40) de Mozart. Ela tem uma abertura empolgante capaz de nos lançar numa agitação de espírito indescritível, mas que, ao fim desta abertura (molto allegro), entra num movimento mais calmo (andante) assim como, a propósito, acontece com o CD InCité de Lenine no qual, após a agitada "Do It", ouvimos a calmíssima "Vivo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É notório que hoje vivemos num ritmo de vida bastante agitado e que, de tanto viver assim, acabamos incorporando-o como hábito, ou seja, acabamos tomando gosto por este estilo de vida e, a tal ponto, que às vezes achamos um tédio viver sem ele. Porém, a exemplo da abertura da sinfonia 40 de Mozart e da "Do It" de Lenine, viver sempre neste ritmo acabaria nos conduzindo a um enfarto - real ou simbólico. Por isso que, após um "molto alegro", nada como um "andante" para lembrarmos que andar (e não somente correr) também faz bem ao “vivo” que, entre tantos significados, é também um tempo musical.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-485939504249433027?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/485939504249433027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=485939504249433027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/485939504249433027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/485939504249433027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/vivo.html' title='04. Vivo'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHgfzQngKI/AAAAAAAAAGw/AAI7WqEbLkk/s72-c/vivo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-3149712002822902567</id><published>2007-03-09T13:55:00.000-08:00</published><updated>2007-03-12T07:27:51.476-07:00</updated><title type='text'>03. Do It: the end</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Do It: the end&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHgEDQngJI/AAAAAAAAAGo/gWILHyDCLH0/s1600-h/Al_Pacino_og_Keanu_R_97099o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040055818203398290" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHgEDQngJI/AAAAAAAAAGo/gWILHyDCLH0/s400/Al_Pacino_og_Keanu_R_97099o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHf5TQngII/AAAAAAAAAGg/Hbo1Qgn--jk/s1600-h/devils-advocate.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não se submeta” - assim termina a canção “Do It” de Lenine. Com esta breve frase, o compositor simbólicamente subverte não somente a estrutura na qual a letra da música foi construída como também o seu próprio tema. Senão, vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase toda a letra desta canção foi construída sob a base: “se está com este problema, faça isto (do it)”. Assim, depois de apresentar uma infinidade de “soluções simples para um mundo complexo”, num embalo rítmico empolgante, no final, a canção concluí apresentando uma solução para a qual não foi mencionado nenhum problema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Se escreveu, remeta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Engrossou, se meta &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quer dever, prometa &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pra moldar, derreta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E não se submeta &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E não se submeta."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, ocorre então a primeira subversão: a da estrutura poética sobre a qual a canção foi montada. A segunda acontece em relação ao tema da canção: o “do it”, isto é, os imperativos do pragmatismo da vida atual - que nos joga numa torrente de atividades e compromissos cujo sentido e razão nem sempre estão conectados às nossas vontades e que, talvez exatamente por isto, nos leva a questionar o sentido desta correria a qual nos submetemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é, portanto, o provável problema colocado pela canção: os imperativos que nos conduzem à escravidão e ao vazio espiritual. No entanto, quem hoje pode dizer um não ao “do it” e continuar pagando as despesas cotidianas?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ao menos no contexto do show de Lenine, o “não se submeta” é muito contagiante. Afinal de contas, nada como cantá-lo a plenos pulmões depois de inúmeras tentativas frustadas de lembrar a seqüência dos trechos desta canção cuja memorização é um desafio para o nosso cérebro - precário e maltratado pelas enxurradas diárias de informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos, então, à conclusão que o “não se submeta” seria apenas uma compensação psicológica e performática para a nossa submissão cotidiana? Nossa libertação estaria, assim, restrita ao plano simbólico e artístico?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, isto já seria uma grande conquista, mas penso que podemos ir além. Dias atrás, por exemplo, tive a alegre surpresa de encontrar esta expressão “não se submeta” num dos livros da Bíblia no que me pareceu ser uma boa aplicação deste anseio comum nos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo fazer grandes citações deste texto bíblico porque este não é, aqui, o propósito e o leitor poderá, se desejar, lê-lo na íntegra consultando a carta que foi escrita aos cristãos que moravam na Galácia e que foram, por isto, chamados de Gálatas – sendo este, portanto, o nome do livro na Bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos temas da carta era o seguinte: o apóstolo, que havia lhes levado a mensagem de “boas novas”, lamenta que, depois de um certo tempo, os gálatas tenham voltado atrás no conhecimento de Deus ao se submeterem a um legalismo religioso que nunca fez parte da mensagem de liberdade que receberam. O apóstolo, autor da carta, então recomenda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão.” [Gálatas 5:1]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que esses cristãos tinham abandonado a liberdade espiritual para se submeterem a formalismos religiosos? O autor da carta também se pergunta isso e esclarece que as leis de Deus são semelhantes aos ensinamentos que recebemos dos pais quando crianças e que tem finalidade de nos proteger para que possamos chegar bem à vida adulta quando então, com discernimento, haveríamos de fazer nossas próprias escolhas baseado nos princípios que aprendemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, não foi porque um dia nossos pais nos disseram “se pediu, agüenta” que devemos fingir, para nós mesmos (ou para a imagem paterna que foi interiorizada), que agüentamos firme enquanto que, na verdade, não estamos suportando uma situação que nos está tirando nossa humanidade ou nossa alma. Em alguns casos, como disse Cristo, &lt;em&gt;“é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o seu corpo”. [Mateus 5:29,30]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um anti-exemplo deste princípio pode ser visto numa das cenas mais decisivas do filme “O Advogado do Diabo”, quando o diabo apresenta, ao advogado, a opção deste deixar suas atribuições profissionais para cuidar da sua esposa que estava emocionalmente fragilizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez inspirado pelo imperativo (do it) “se pediu, agüenta”, ele nega-se a abandonar seus deveres profissionais respondendo que pode dar conta de ambos. Desta forma, o diabo obtém assim permissão para atingir o seu lado mais frágil (simbolizado por sua esposa) e fazer a devastação moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, assim como não precisamos ter uma esposa para reconhecer o nosso “lado frágil”, não precisamos também ser tentados pelo próprio diabo para nos convencermos que esta questão está sempre diante de nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-3149712002822902567?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/3149712002822902567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=3149712002822902567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/3149712002822902567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/3149712002822902567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/do-it-end.html' title='03. Do It: the end'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHgEDQngJI/AAAAAAAAAGo/gWILHyDCLH0/s72-c/Al_Pacino_og_Keanu_R_97099o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-1800870373632384672</id><published>2007-03-09T13:02:00.000-08:00</published><updated>2007-03-12T07:29:15.776-07:00</updated><title type='text'>02. Do It Again</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Do It Again&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHffDQngHI/AAAAAAAAAGY/3E2Z3VFTqoI/s1600-h/meuprimeiroamor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040055182548238450" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHffDQngHI/AAAAAAAAAGY/3E2Z3VFTqoI/s400/meuprimeiroamor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem já não teve diante de si um amigo(a) apaixonado(a) que se tortura em incertezas sem fim? Diz que não sabe se liga ou se não liga, se namora ou não namora, se "casa ou se compra uma bicicleta"... A situação é cômica: o “ser humano” sabe o que tem que fazer, mas parece precisar de uma confirmação externa para tomar uma atitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas condições, o conselho mais simples (e digo simples porque ele parece ser sugerido pela própria pessoa que o pede) resolve. Assim, algo do tipo “se acredita, tenta” ou “se dá pé, namora” como que por um passe de mágica transforma aquele miserável sofredor em um exultante otimista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, assim é a vida: complexa e cheia de mistérios, mas, as vezes, uma atitude simples e ativa promove a resolução de conflitos internos intermináveis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Do It”, a música que abre o disco “InCité” de Lenine, de onde peguei emprestado as citações acima, faz uma espécie de coletânea dessas soluções simples e práticas do cotidiano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Tá cansada, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;senta se acredita, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;tenta se tá frio, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;esquentase tá fora, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;entra se pediu, agüenta.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ouço esta canção, fico logo pensando na realidade cotidiana onde o compositor foi colher essa imensa coletânea de ditos proverbiais. Recordo-me, inclusive, de uma vez, há muito tempo, quando saí para passear com algumas pessoas mais adultas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado algum tempo do passeio, um dos filhos mais novos de um colega queria deixar a bicicleta no meio do caminho porque estava aborrecido e cansado com o passeio. Eu já ía então me dispondo a carregá-la, quando o pai (de modo discreto) me impediu ensinando, ao filho, que era ele quem devia carregar suas coisas. Em outras palavras, ele estava dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“ _ Você não pediu para vir com a gente? Se pediu, agüenta."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não tenho mais contato com essas pessoas. Mas, guardei a didática do "se pediu, agüenta" que estava alí sendo ensinado num simples passeio de bicicleta. Guardei isto sobretudo, quando tive que enfrentar as provas e trabalhos ao final de cada semestre universitário. De alguma maneira, penso que acabei incorporando o senso de dever de "carregar minha próprio bicicleta" e arcar com as conseqüências de se sair de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida prática está cheia dessas soluções modestas cuja eficácia as vezes parece inverossímil. Entretanto, grandes pessoas já mostraram como é possível tratar de assuntos complexos e abstratos a partir desses ditos populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim fez Cristo que inúmeras vezes falou do "Reino dos Céus" a partir de aspectos da vida prática como, por exemplo, o gesto de um pescador ou o trabalho de um semeador. Num de seus ensinamentos, ele cita o seguinte provérbio popular:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Ninguém acende uma candeia e &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;a esconde num jarro &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;ou a coloca debaixo de uma cama.” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;[Lucas 8:16]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta passagem, Cristo tinha acabado de contar uma parábola (Lucas 8:4-18). Ao final dela, seus discípulos pedem que ele a explique. E estre trecho citado é o final desta explicação, onde Cristo utiliza-se deste ditado popular para resumir o que se passa com alguém que teve sua vida transformada: esta pessoa não oculta sua felicidade, assim como ninguém oculta a luz da lamparina (ou candeia) debaixo de uma cama ou dentro de um jarro. Portanto, parafraseando os provérbios de "Do It", quem tá feliz deve requebrar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Tá feliz, requebre &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Se venceu, celebre"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-1800870373632384672?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/1800870373632384672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=1800870373632384672' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/1800870373632384672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/1800870373632384672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/do-it-again.html' title='02. Do It Again'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHffDQngHI/AAAAAAAAAGY/3E2Z3VFTqoI/s72-c/meuprimeiroamor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3804914262754174280.post-6175267220756675603</id><published>2007-03-09T12:55:00.000-08:00</published><updated>2007-08-07T19:24:12.454-07:00</updated><title type='text'>01. Do It</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“Imperativos modernos”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHfMjQngGI/AAAAAAAAAGQ/bv6dw4xbj3g/s1600-h/www_ravenimages_com.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040054864720658530" style="" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHfMjQngGI/AAAAAAAAAGQ/bv6dw4xbj3g/s400/www_ravenimages_com.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como diria o próprio Lenine, a canção "Do It", a primeira do seu disco "InCité",  é feita totalmente de imperativos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Tá cansada, senta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se acredita, tenta &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se tá frio, esquenta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se tá fora, entra&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se pediu, agüenta “&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma canção divertida e agitada que, ao longo de 2006, tocou muito na TV por ocasião de uma das novelas globais. É uma canção alegre e animada. Porém, mais que isso, ela é o que se pode chamar como manifestação artística de  “espírito da época”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, porque  parece que com o passar dos anos sempre temos mais e mais coisas pra fazer. E não me refiro aquelas coisas "normais" e corriqueiras como trabalhar e cuidar da casa. Mas, sim aquelas que surgem como imperativos da vida moderna, ou seja, como necessidades para se manter apto para o "mercado" seja ele qual for. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, se você tem um bom emprego sabe o quanto ele lhe custou em matéria de educação formal, universitária e cursos e mais cursos de língua e especialização. E sabe também que, para "manter sua posição", terá sempre que fazer outros cursos para "atualizar-se".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como essas atividades tendem a competir com aquelas atividades que lhe dá prazer e sabedoria (como uma modesta audição de um disco ou um momento a sós com a família), ocorre que sempre estamos fazendo isso ("Do it") ou aquilo sem que isso nos satisfaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez um grupo de amigos estava refletindo sobre a passagem em que Cristo visita as Marta e Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta, possivelmente pega de surpresa pela inesperada e ilustre visita, corre de um lado para outro procurando, provavelmente, providenciar aqueles cuidados que representariam uma boa expressão da sua hospitalidade. Já Maria não faz nada além de ficar contemplando as palavras que Jesus está lhe dizendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A irmã, Marta, fica então indignada com a irmã que não lhe ajuda a servir e coloca a questão diante de Cristo. Que vos parece? Não seria justo que Maria ajudasse sua irmã com o trabalho de servir o visitante?... Pois, curiosamente, Cristo responde à indignação de Marta da seguinte maneira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Marta, Marta, estás ansiosa e pertubada com muitas coisas; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;[ Lucas 10: 41-42 ]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a exposição do texto bíblico, o assunto foi colocado em discusão, e a opinião que me pareceu mais honesta foi a de uma mulher que reconheceu que ela só conseguia se identificar com Marta: a irmã superativa e ansiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que um aspecto da sua personalidade, o que aquela mulher expressava era a maneira como todos nós vivemos hoje em dia: ansiosos e pertudados, preocupados com muitas coisas e sem tempo para nos ocupar com a “boa parte”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cantar “Do It”, Lenine traz à tona este tema – que as vezes, por estarmos correndo atrás de tantas coisas nem paramos pra pensar. No entanto, seria esta música um elogio desta filosofia pragmática e desses imperativos modernos?... Penso que não e, para isso, baseio-me não somente na letra da canção, que não terei espaço para aqui me deter, como, também, na música que a segue no disco de que faz parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste disco, “In Cité”, a música “Do It” é seguida por “Vivo”. E, esta última canção, possui uma letra e um ritmo totalmente oposto ao de “Do It” (lento e com acordes discretos) parecendo, assim, sugerir que, em meio ao agito da vida moderna, é preciso também nos aquietarmos e refletirmos sobre a nossa vida e sobre a nossa condição humana no mundo e sociedade em que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3804914262754174280-6175267220756675603?l=lenineincite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lenineincite.blogspot.com/feeds/6175267220756675603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3804914262754174280&amp;postID=6175267220756675603' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6175267220756675603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3804914262754174280/posts/default/6175267220756675603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lenineincite.blogspot.com/2007/03/imperativos-modernos-aps-um-longo-dia.html' title='01. Do It'/><author><name>Jean Carlo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01774761725903015692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_a0qv5CpH1HQ/RfHfMjQngGI/AAAAAAAAAGQ/bv6dw4xbj3g/s72-c/www_ravenimages_com.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
